quinta-feira, 29 de setembro de 2016

PONTO DE VISTA.

      Os sinais de pontuação estavam quietos dentro do livro de Português quando estourou a discussão. 
- Esta história já começou com um erro - disse a Vírgula. 
- Ora, por quê? - perguntou o Ponto de Interrogação. 
- Deveriam me colocar antes da palavra "quando" - respondeu a Vírgula. 
- Concordo! - disse o Ponto de Exclamação. - O certo seria: "Os sinais de pontuação estavam quietos dentro do livro de Português, quando estourou a discussão". 
- Viram como eu sou importante? - disse a Vírgula. 
- E eu também - comentou o Travessão. - Eu logo apareci para o leitor saber que você estava falando. 
- E nós? - protestaram as Aspas. - Somos tão importantes quanto vocês. Tanto que, para chamar a atenção, já nos puseram duas vezes neste diálogo. 
- O mesmo digo eu - comentou o Dois Pontos. - Apareço sempre antes das Aspas e do Travessão. 
- Estamos todos a serviço da boa escrita! - disse o Ponto de Exclamação. - Nossa missão é dar clareza aos textos. Se não nos colocarem corretamente, vira uma confusão 
como agora! 
- Às vezes podemos alterar todo o sentido de uma frase - disseram as Reticências. - Ou dar margem para outras interpretações... 
- É verdade - disse o Ponto. - Uma pontuação errada muda tudo. 
- Se eu aparecer depois da frase "a guerra começou" - disse o Ponto de Interrogação - é apenas uma pergunta, certo? 
- Mas se eu aparecer no seu lugar - disse o Ponto de Exclamação - é uma certeza: "A guerra começou!" 
- Olha nós aí de novo - disseram as Aspas. 
- Pois eu estou presente desde o comecinho - disse o Travessão. 
- Tem hora em que, para evitar conflitos, não basta um Ponto, nem uma Vírgula, é preciso os dois - disse o Ponto e Vírgula. - E aí entro eu. 
- O melhor mesmo é nos chamarem para trazer paz - disse a Vírgula. 
- Então, que nos usem direito! - disse o Ponto Final. E pôs fim à discussão.
(Conto de João Anzanello Carrascoza)