sexta-feira, 8 de julho de 2016

UM LINDO CASO DE AMOR...

       No interior do estado o povo festejava o dia de ação de graças e não poderia ter existido um dia mais propício para o encontro daqueles dois.  Seu nervosismo era latente, por isso chegou tão cedo ao local combinado. Só não sabia que entre os que vagavam pelo labirinto das barraquinhas alguém há muito esperava por ela. Jamais tinham se visto, e só se conheciam através das redes sociais.  Não tardou até que se encontrassem.  Enquanto ele se punha de pé, estático, ela, perdendo totalmente a compostura, se atirou na cintura dele que a fez girar em torno dele. Depois lhe tascou um beijo na boca com tanta vontade que excitou até o padre que a tudo assistia.   Ela parecia estar possuída, fora do eixo, ao passo que o sujeito curtia a festa como se fosse a do seu aniversário.  Era ele um cara de sorte principalmente quando tocou no corpo e beijou a boca de quem habitava seus sonhos fazia tempo.   Um beijo roubado na frente de todos dava a ela a certeza de sua pegada. Depois se deram as mãos e saíram em busca de um canto onde pudessem conversar.   Durante a caminhada ela o examinava nos mínimos detalhes e em certos relevos se deixava ficar olhando.  Principalmente nos maiores, se é que me faço entender.
O cara pensou em discutir a diferença entre suas idades, mas achou melhor se calar. Os tempos já não eram os mesmos e a sociedade tinha mais com que se preocupar, pois o que importava na verdade era que tivessem um bom relacionamento – pensava ele quando se lembrava do assunto. Dali seguiram para a casa dela onde seus parentes os aguardavam. Ninguém reparou na idade dele, mas para que não cometessem nenhum desatino a garota fez questão de dizer que o encontro era amigável e que não esperassem nada de sério da parte deles.  Tanto sabia do que estava falando que em tempo nenhum foi interrompida ou contrariada naquilo que dizia. Depois vieram outros encontros  e por entenderem que um era a metade da laranja do outro resolveram juntar suas tralhas.  A cama era o ponto de encontro do casal.  Sempre que estavam em casa corriam para a cama em busca do prazer. 
Uma cirurgia, no decorrer do período, se fez necessária e durante a convalescença, fazer amor estava fora de cogitação, como a ele disse o médico, mas quem estava aí para o que ele dissesse?  Durante as noites a temperatura subia e no calor da irresponsabilidade, mesmo depauperado, o sujeito se entregava à habilidade da moça num sexo louco, quase bonito. 
      Hoje, gozando da melhor saúde e de todas as facilidades que a vida moderna oferece a frequência já não é tão grande. Amadureceram, cresceram em praticamente tudo.  Afinaram suas ideias, investiram no que pensam ser necessário e viajam aos lugares mais distantes e mais bonitos. Vivem hoje como num conto de fadas trocando abraços e beijos quando lhes é possível, mas, nada mais, além disso.  Eu acredito que já não fazem amor com a mesma pegada, embora o sentimento da parte dele continuasse num crescente avassalador, enquanto ela já não sente tanta graça no que ele faz. Em vários momentos o cara pensou  que o amor dela por ele tivesse acabado, ou que ela se arrependeu de tê-lo conquistado.  Choroso pelos cantos acredita que não viveria sem o atrevimento dos carinhos que por sinal escasseiam a cada dia, assim como há muito não se vê provocado por um olhar malicioso, um cruzar de pernas pretensioso que os levava à cama quase sempre. 
- Enfim, vamos deixar que o tempo os ilumine, porque só ele tem o poder da modificação.   Se tiver de mudar para melhorar, que mude, caso contrário, que mudem os dois ou se acovardem para sempre.