segunda-feira, 4 de julho de 2016

EU EM VOCÊ...

    Depois de cortejada se deitou de costas ao jugo de quem a ela tudo prometia. Carinhos, palavras sussurradas e alguns beijos apressados de cujos lábios sentia lamberem seu pescoço, seu colo e ao pé dos seios rendeu-se a um longo gemido.  Eram beijos gulosos que comiam, que devoravam e sem resistir se viu sem forças, entregue ao mais puro e louco dos desejos. Beijos vorazes no dorso da mão, ao longo do pescoço, no colo, no bico intumescido dos seios e, por fim, um grito, não de pavor, medo ou de dor, mas de qualquer coisa que o corpo talvez até suportasse, mas tal qual sua alma, desabrochou todas as flores.  Ali se consumou o ato e antes que o suspiro final ele ouvisse, vestiu-se o homem e foi embora deixando estirado, morto, um corpo satisfeito no momento, mas em breve, muito breve dessa overdose ele quisesse mais. Seria sonhador se a maioria das histórias não tivesse desfecho parecido.  Enquanto um se vai depois da glória da conquista o outro fica moribundo de saudade. A boca que calou com os sonhos da mentira era a mesma com a qual sonhara desde os tempos de menina. Era linda de ser vista e doce de ser beijada. Quando dizia o seu nome era a coisa mais romântica que já tinha ouvido. Olhos, de cuja cor jamais se esqueceria, principalmente por terem nocauteado os belos verdes dos seus na primeira vez que se cruzaram. Enquanto isso ele sumia na esquina distante, talvez, buscando por outras, como eu, a quem se entregará com garbo e elegância até o momento de tê-la inerte, mas realizada, ao longo de uma cama de qualquer motel - delirava olhando no espelho do teto o reflexo do seu estado. 
Precisava ir embora, mas talvez ficasse um pouco mais, já que levaria consigo a certeza de que o sabor da mulher cortejada, da mulher enfeitiçada e possuída, estava agora, dentro da boca dele.