sábado, 18 de junho de 2016

NO BALANÇO DAS HORAS.

    Eu não sei se você se lembra de como era a sua vida na juventude, mas com certeza há de se lembrar de como usava os cabelos, dos presentes preferidos e do belo corpo rígido e bonito  que às amigas causava inveja. Hoje, dez anos depois, tudo ou quase tudo mudou na sua vida, inclusive a cama.  Seus desejos, sua ousadia, desempenho de mulher fogosa e o gozo que conquistava, já não são os mesmos.
É claro que algumas coisas não mudaram como seu caráter e a fidelidade para com os outros e para com você mesma. Outras, no entanto, querendo você ou não, mudam a cada década vivida e o sexo, então, nem se fala. A propósito; como será você daqui a 30 ou 40, cinquenta anos, quem sabe? Como estará sua libido com relação ao marido ou aos seus companheiros?
Quando se tem 20 anos a animação é grande. As mulheres querem preliminares enormes e não se importam com a hora ou o lugar onde possam fazê-las, se durante a noite ou em pleno meio-dia,  se no capô de um carro, no escritório do namorado, no escurinho do cinema, numa rua ou  na praia deserta. Transam na escadaria do prédio onde moram e sem pudor nenhum contam às amigas do escritório ou do colégio cada detalhe do que fizeram. Com o tempo essas coisas vão mudando e o que se fazia durante um dia inteiro, por achar que o tempo voava hoje são feitas em duas horas e muito mais bem feito. O prazer de uma relação a dois é imensa e nem o arrastar das horas lhes parece que o tempo voa. Foi assim com uma amiga que tinha um namorado e jurava ser ele o cara de sua vida. Ficou três meses com o sujeito. Mais tarde ficou com o amigo dele que frequentava a mesma igreja. Ele não foi o primeiro com quem transei, mas tem tudo a ver comigo –  introspectiva me dizia. Na última vez em que nos vimos ela jurou ter encontrado a sua verdadeira cara metade. Eu e o meu namorado fazemos coisas que eu repudiava nas prostitutas, mas com ele é maravilhoso e eu me perco fazendo isso, mesmo que eu continue achando que não é coisa de mulher direita - afirmou baixando os olhos. 
O tempo muda as pessoas no decorrer da vida. Muitas mudam para melhor, outras se acovardam na mesmice, mas de certa forma também mudam, porque basta perder o medo do que possam falar ou possam dizer para o corpo responder positivamente a novos e múltiplos orgasmos que seu companheiro ou companheira de qualquer um ou qualquer uma lhe possa dar. Carinhos atrevidos, sussurros ao pé do ouvido, além da janela mal trancada que o vento abre à luz. Às cores da vida. Ao caminho dos lobos e ao grito choramingado da fêmea no cio, que no fundo, você é.