sexta-feira, 10 de junho de 2016

A FUXIQUEIRA.

       Marta caminhava de cabeça baixa quando um grito de mulher a roubou dos pensamentos. Uma garota de presumidos 19 anos empurrava um velho para dentro de um casebre a beira de um caminho onde nem uma viva alma se via por ali. Martha, curiosa como  a maioria das mulheres, escondeu-se atrás de um arvoredo na esperança de saber o por quê da garota gritar com quem, aparentemente, nem forças parecia ter para fugir. Mas a garota não parava de gritar:  - porra, cara! Tu é homem ou não é? – Essas foram as últimas palavras que Martha ouviu até que um silêncio sepulcral tomasse conta do lugar. Nem o zumbido das asas de um mosquito se ouvia mais. 
O dia afinava os últimos acordes quando Martha decidiu olhar pela janela.  Do lugar em que se encontrava, Martha ouvia alguns gemidos.  Na ponta dos pés a enxerida viu o velho transando com a garota, a mesma que antes o humilhara.  A jovem parecia ter um adestrador de xucro sobre ela. Agora era o velho quem dava as ordens.  – Então, não era isso o que tu querias? Então tome! – Dizia sem demonstrar qualquer cansaço enquanto a pequena se mexia, gemia, xingava e ria ao mesmo tempo. Já Martha, que tinha esquecido do tempo e da vida, estava bastante excitada com o que acabara de presenciar.  Agora era ela quem tinha o corpo ardendo de desejos, não pelo velho, mas pelo que vira ao vivo e a cores. 
– Meu Deus - pensava ela, como pude invadir a privacidade dessa gente, mesmo que as minhas  intenções fossem as melhores? – Antes que Martha se desse conta um mulato alto e forte apareceu não se sabe de onde e falou junto ao ouvido dela.  – O que você está vendo é o que vem acontecendo  ultimamente.  Na mesma hora a garota que transava com o coroa pediu ao mulato, a quem chamou pelo nome, que levasse a namorada, como se Martha fosse alguma coisa dele,  para que pudessem conhecê-la. Martha sem saber como explicar sua presença ali, decidiu entrar na casa e dependendo do que rolasse talvez tirasse algum proveito. Sua calcinha era a última peça que ela tinha para ser tirada quando viu a exuberância do mulato. Era uma coisa que a garota só vira em sonhos e principalmente nos pesadelos. Martha mal comia, mal dormia, pensando num sujeito igual a esse. E foi sem pensar no que pudesse acontecer que se atirou de joelhos aos seus pés suplicando que exorcizasse  os pecados do seu corpo. Sem se preocupar com o que o idoso e a companheira pensassem a seu respeito, ordenou, com olhos de santa e de louca, que o cara jazesse de costas e sobre sua virilha  assentou a pureza que trazia.