domingo, 29 de maio de 2016

SEMPRE ELA.

   
   Ontem, na estação do metrô da Carioca eu vi um jovem guitarrista que tocava para três ou quatro pessoas com o mesmo entusiasmo de quem toca para cinco mil, e pelo que fiquei sabendo já estava ali fazia horas sem que lhe dessem nada além de seis moedas. Eu tinha pressa de ir embora, mas o músico e as suas melodias não me permitiam. Então fiquei e me encantei com o seu rock, seu jazz e os outros ritmos que de tão bem executados  me reportavam aos melhores momentos de Jimmy Hendrix.  Mesmo assim ninguém dos que passavam se prestou parar para escutá-lo.  Quando chegou a vez dos boleros uma idosa,  junto a uma banca de jornal, passou a acompanhá-los batendo com o pé no chão, até que uma valsa a levou à dançar. Vendo os primeiros passos da mulher o rapaz aumentou o tom e quanto mais ele tocava, mais a mulher dançava. De olhos fechados rodopiava pela praça que já não cabia com tanta gente parando para vê-la.  Quando a guitarra calou foi que a senhora se deu conta do que fazia. Pegou a bolsa que deixara no chão e vazou por entre os que a aplaudiam pelo show que dera.  O músico fez reverência dizendo que os aplausos não eram para ele, mas para a mulher a quem, mesmo ela já indo longe, agradeceu. Perguntado se ele conhecia a dançarina o rapaz respondeu: – é minha mãe. Mesmo a gente tendo brigado ela não deixa de dar força quando mais preciso.