domingo, 8 de maio de 2016

TEREZINHA, MÃE DE TODOS.

No dia dos pais eu abracei Terezinha, minha mãe  com quem chorei a sua solidão.
Por mais que nós, seus filhos,  dela nos aproximamos, mais vazia ficava a sua vida. Todo mundo sabe que amor de filhos é coisa especial, mas  que não substitui o amor que existe entre o marido e a mulher, já que nasce, cresce e fortifica com o passar do tempo, com palavras carinhosas e o interesse dele por ela.  Assim foi a vida da mulher que me pariu. Talvez o dia de hoje fosse de festa se nada tivesse acontecido, mesmo que algumas dores, naturais da sua idade, lhe dobrassem as pernas e a esculpisse em nossas lembranças.  Entretanto ninguém preenche a falta dos beijos e do pecado senão o marido que a santifica.   Quanto mais passava o tempo, maior era a indiferença provocava.
Meu pai  causou naquela criatura u'a mudança ilógica, porém radical. Deu a Terezinha a esperança de um futuro feliz e colorido. Jamais a ela garantiu uma casa simplesmente, mas um lar com respeito e filhos e ele os deu a ela.  Hoje é o dia da mãe -  e do pai - como afirmei na abertura deste texto, e Terezinha, no entanto, acordou, se acordou, sozinha, como vem acontecendo há meses. Abriu a janela dos nossos olhos e ao sol fez reverência. Colocou água de café no fogo, como sempre fez, e foi ao banheiro se lavar. Recebeu os filhos, ou nós a recebemos, como aos parentes e alguns amigos fizeram, não para chorar o vazio que abriu em nosso peito, mas para certificar aqueles que a amam que a vida continua com ou sem a sua presença por mais dias das mães e dos pais que o calendário possa nos oferecer. 
 - Bendita sejas tu, Terezinha, mãe de Maria e de todos aqueles que de ti nasceram, como eu.