quarta-feira, 18 de maio de 2016

AO MESTRE COM CARINHO.

     Bom dia, professora. Eu sou Marcela, mãe de um dos seus alunos. A gente não se conhece porque meu filho estuda num horário incompatível com o do meu trabalho. Foi minha mãe quem o matriculou sobrando à empregada o trabalho de levá-lo e de trazê-lo do colégio. Meu filho é aquele loirinho que está mexendo nas tranças da menina sentada a sua frente.   Mas como eu ia dizendo, não é de hoje que procuro um tempo para agradecê-la por cuidar dessa criança como se fosse mãe, não só dele, mas de cada um dos que aqui estão. É um privilégio ter um filho sob a responsabilidade de alguém tão bonita e dona de um belo par de seios que até dá água na boca que quem os vê. (Risos) Até na minha se você quer saber. (Mais risos).  Desculpa, professora. Estou brincando.  Até porque, se eu sentisse alguma coisa fora do normal por uma mulher como a senhora eu ficaria na minha, não ia me declarar dessa maneira, não é mesmo?  De qualquer forma você é muito bonita e chega a causar na gente uma coisa que nem eu saberia dizer o quê. Mas deixa isso prá lá. Eu só vim mesmo para conhecê-la e dizer que assim que eu soube que meu filho seria aluno da coisinha mais linda dessa escola foi que embarquei nesse desejo incontrolável de conhecê-la. Eu precisava vê-la, tocá-la e falar com a senhora.  Muitas foram as vezes que eu parei meu carro na frente do seu colégio na intenção de vê-la, mesmo que distanteDe toda maneira eu gostaria de agradecê-la pelo carinho com que trata meu filho. Talvez, quem sabe, a senhora não arranje um tempo para um café, um chá ou um refresco em minha casa onde a gente pudesse falar sem que nos interrompessem.  Quando achar conveniente me telefone e a gente marca uma hora para conversar. Certamente eu falarei das minhas venturas e desventura e você me contará o que achar que pode, mas com certeza deverá me dizer o porquê desses lindos olhinhos verdes brilharem quando chegam ao trabalho. Professora, eu, como falei, fui  casada durante cinco dos meus 32 anos. Fui feliz até que o meu marido, primeiro e único amor veio a falecer.  Foi um baque, um vácuo em minha vida. Agora, conhecendo a senhora como venho tentando desde fevereiro, sinto que a minha nave estabiliza o voo.  Ser mãe de um dos seus alunos  já é um grande presente, mais ser sua amiga seria um sonho, mesmo que utópico.  A partir de hoje meus sonhos voltam à nave onde voarão tranquilo e confortavelmente como com o meu marido. Você, que eu trato por senhora, mesmo tendo idade de menina, não deve recusar o meu convite. É preciso dividir com alguém as nossas alegrias e as nossas mazelas por maiores ou menores que possam ser. Quanto ao que venha acontecer daqui para frente, não importa se o respeito e a verdade ditarem as regras.  O amor nos prega peças e é do amor e das peças que ele prega que a gente vive a vida que o mundo inveja. E então, professora. A senhora aceita jantar comigo hoje a noite?
- Sabe o que é, Dona Marcela. Eu tinha mesmo que falar com a senhora sobre seu filho, mas já que me fez esse convite não vejo motivo para não aceitá-lo. A que horas a senhora pretende me receber em sua casa?