domingo, 22 de maio de 2016

À FLOR DA PELE.

                                                     
            No momento em que os olhos de Richard detectaram a beleza de Amy  o jovem se deu conta de que o seu coração lhe pregaria uma grande peça.  Ele tinha 25 anos e ela não mais que 16.  Enquanto o rapaz evitava namoros levianos,  ela, espevitada, namorava o que aparecia.  A primeira oportunidade para Richard declarar a ela o que sentia foi no elevador do prédio onde moravam.  Richard falou sobre o que sua presença causava nele e antes que a moça pudesse se recompor da surpresa o rapaz a pediu em namoro.  Achando que o cara queria brincar com a sua cara, Amy,  mudou de assunto, depois de calçada e por fim já não queria ouvir sua voz. Para justificar sua atitude, Amy, dizia que assumindo tal compromisso perderia a liberdade de sair com os amigos. Amy não era adepta da bebida, mas gostava das festas onde nada fosse proibido. Para ela Richard era muito careta. Só pensava em estudar e trabalhar ao invés de aproveitar o dinheiro do pai para se divertir. Ela, no entanto, ficava mais na casa dos amigos em busca de diversão do que na sua propriamente dito.  Enquanto o rapaz saía para o trabalho e a faculdade a garota se divertia com rapazes assim como através da internet fazia novas amizades.  Muitas vezes Richard  chegava  da faculdade na hora em que Amy saía para as noitadas das quais só voltava no dia seguinte, sempre   acompanhada por  um parente ou um amigo, como dizia, mesmo que os cabelos molhados dissessem que tinha ido ao motel. Essa certeza machucava Richard e quanto mais a moça aprontava, mais o jovem  se apaixonava. Amy nasceu na Sardenha e já viajara para mais de vinte países.  Era filha de brasileira e de um cônsul italiano. Amigas a moça teve poucas, mas namorados já tinha perdido a conta. Já teve momento em que Amy foi vista saindo com vários rapazes na mesma noite o que transformava seu porte de menina num histórico de mulher vivida. Certa vez Richard a interpelou na garagem do condomínio. Falou do seu amor e sem que ele se desse conta uma lágrima escorreu-lhe na face comovendo a moça que não tendo como fugir daquela situação acabou por confessar. Disse que não gostava das coisas erradas que fazia, mas não sabendo como refrear seus desejos acabava se entregando ao primeiro que lhe aparecia.  Tinha momento que o corpo dava sinal de fadiga, mas uma força estranha a conduzia  aos caprichos da carne. Tudo o que a cercava tinha cheiro de sexo e até nos sonhos seu nome era pecado.  Tinha vez que a relação com vários homens a maltratava de tal forma que ao voltar à casa se sentia extenuada, machucada, mas nunca saciada.  Não existia nada que Richard pudesse fazer para impedi-la de se jogar nos braços dos amantes cujo número era cada vez maior. Antes de beijar a face de Richard para ir embora, Amy se deixou chorando entre seus braços. Com a face molhada de lágrimas jurou que o amava, mas precisa ficar longe  para não desonrá-lo.
    Aquela afirmação encheu  Richard de esperança e na primeira oportunidade se atirou de joelhos e a pediu em casamento. Disse a ela que não sairia do seu lado e isso a ajudaria a esquecer os outros homens. A moça aceitou, mas nada mudou entre eles, já que saíam juntos todas as manhãs. Ele para o trabalho e ela para o pecado. Essa atitude matava as esperanças do casal. Richard sabia que na sua ausência rapazes frequentavam a sua casa, mas nada podia ele fazer a não ser rezar ou perdê-la. Uma luz, no entanto, iluminou seus pensamentos. Um psicólogo! Isso. Um tratamento talvez fosse o melhor remédio por isso se dignaram consultar Armando, professor de psicologia da USP, com pós graduação, mestrado e doutorado na matéria. Nas primeiras consultas Armando se viu perturbado com a beleza da paciente embora respeitasse a ética. Durante os primeiros meses era difícil não olhar para o seu decote e as cruzadas de pernas que a moça dava, mas com o passar do tempo tudo foi se resolvendo. Num certo dia o consultório foi preparado com música ambiente enquanto flores silvestres se espalhavam por cada canto. Na chegada à terapia, Amy  percebeu que o ambiente estava fora dos costumes, principalmente na hora da despedida quando Armando lhe entregou uma rosa amarela e um convite para jantar que Amy, meio sem jeito, recusou. O profissional deu-lhe um beijo na face e através de um telefonema fez o marido ciente da mudança de comportamento de sua mulher durante esses últimos anos o que lhe dava a certeza de tê-la curado ou, no mínimo, amenizara em muito o seu desejo pelo pecado. Feliz com o sucesso do tratamento Richard preparou uma grande festa deixando a cargo da esposa o cansativo trabalho de convidar os amigos.