sexta-feira, 15 de abril de 2016

UM RISCO DE ESPERANÇA.

O velho que um grupo de idosos se acotovela para ver, tocar ou sorrir, já teve 1,85m de altura, embora hoje não passe de 1, 72m. Os jovens, talvez os menos informados, não associem suas vidas aquele homem. Haja vista que, aos 20 anos, um moço que não buscava viajar à novas cidades ou descobrir outros países, mas saber a realidade dos menos favorecidos, decide por conhecer a vida, as necessidades e os sonhos dos campesinos da terra que, segundo ele dizia, amava mais do que a si próprio. Era assustador o quadro com o qual se deparou.   Na aridez daquelas terras faltava de um tudo. Faltava comida, água potável, trabalho e um lugar digno para a família. O que fazer para ajudar aquela gente? – Se perguntava. Dinheiro ele não tinha, mas tinha juventude, coragem e boa vontade.  Através do conhecimento dos seus pais filiou-se a um partido e retornou aquele lugar em busca dos votos.  
– Eu não voltei na intenção de me arranjar através das necessidades de vocês, mas com a esperança de poder ajudá-los.  Não vou prometer comida para alimentá-los e muito menos segurar seus filhos chorando de fome nos meus braços,  porque isso é muito pouco para quem sonha como vocês e eu sonho também. Não pensem, porque não vou construir escolas ou mandar os alunos estudarem em outras cidades, mas posso modernizar o ensino das que já temos.  Não esperem que eu cave um poço para lhes dar  água e muito menos desviar o São Francisco às suas torneiras, mas contem comigo para irrigar as suas casas e também as suas vidas, não agora, de imediato.  Também não lhes vou prometer dinheiro porque não o tenho para dar, mas caso a gente combine, criarei postos de trabalho para que possam vir seus filhos empurrando para o centro da mesa o prato vazio que acabarem de comer.  Não me peçam, lhes imploro, para construir um hospital novo porque não tenho como fazê-lo, mas com a ajuda de alguns amigos, darei um jeito de trazer os médicos que recebem salários para medicá-los e não o fazem preferindo às grandes metrópoles onde residem.     Prometer, portanto, eu nada vou, a não ser um trabalho que lhes dê a dignidade que merecem.  Eu quero, caso vocês concordem, que os homens reformem a escola e o posto de saúde e que suas mulheres e suas filhas, se não estiverem estudando, deem suporte aos trabalhadores com a comida e as roupas que usarem.  E para que esse milagre aconteça eu preciso do voto de cada um de vocês e dos amigos de vocês nas eleições, pois só assim terei como trazer o material para o trabalho e a comida para mantê-los fortes na lida. Caso vocês achem as minhas palavras mentirosas e por isso não queiram me dar seus votos eu pergunto; vão dar para quem, se vocês desconfiarem de todo mundo? Gente, esta é a minha vez de oferecer-lhes ajuda, sendo verdade ou não o que lhes disse, e também é a vez de vocês acreditarem no que o destino tem a  lhes oferecer. 
         Com o mínimo necessário de votos o jovem foi eleito. As escolas foram reformadas com o trabalho dos que antes viviam com os braços cruzados.  Hoje, a metade dos que ali estudaram está formada e os filhos encaminhados.  O posto de saúde e o hospital também tiveram grandes melhoras enquanto os médicos e enfermeiros já não se queixam.  As ruas principais foram calçadas e a pracinha aonde o jovem trocava sonhos por votos tem seus bancos e mesas ocupados pelos aposentados que matam o tempo jogando cartas, contando casos ou olhando nas crianças a infância que não tiveram. 
          E foi assim, com o mesmo sorriso que da Vince pintou em sua principal obra que o velho se afastou dos que o cercavam, já que não fora por aquelas bandas para ser homenageado e muito menos aplaudido, mas para ter certeza que valeu à pena trocar a juventude pelo sorriso dos que nem em Deus acreditavam mais.