quarta-feira, 6 de abril de 2016

POR QUE NÃO, PAPAI?

   
   Na  dúvida eu chorei ao dizer sim para os meus filhos, como na dúvida eu  gargalhei  ao dizer não. Garanto, no entanto, que sou coerente com as minhas decisões, até prefiro pedir tempo para decidir ao invés de me arrepender dizendo o que não devo. Talvez por nunca ter visto alguém questionando o sim em detrimento do não, como também não vi ninguém procurar saber quando se usa um e quando se usa o outro como resposta.  Certamente o sim dos nossos pais contraria o que esperamos deles. As vezes um sim nos põe às margens do perigo enquanto um não pode nos salvar a vida. Portanto, meu caro e minha cara. Cuidado com as afirmativas do sim, principalmente quando você, por descuido ou para se mostrar amigo e solidário, posso até dizer omisso ou preguiçoso, concorda com qualquer coisa que o jovem de sua família faça e que pode levá-lo a se foder de vermelho e preto com a sua permissão.  Quando a gente é responsável a gente diz, não. Quando se é leviano dizemos, talvez, mas quando se é displicente, covarde ou somos coniventes com o que a garotada vai fazer, a gente aperta o botão, gira a cadeira e diz; sim.  
    - Meu pai é muito legal, nunca me diz não, para nada. Eu só não vou ao baile funk com as minhas amigas porque hoje faço 15 anos e um amigo da minha mãe ficou de me dar um presente, mas assim que ele for embora eu corro para lá, mesmo que todos já tenham ido.  Amanhã eu falo com meus pais e tudo bem.
    - Já o meu é bem careta. Nada do que falo ou faço está certo, está correto e para ouvir um sim de sua boca é preciso que o time dele vença um clássico ou tenha bebido algo mais forte, assim mesmo ainda tem o crivo da minha mãe. Caso contrário é aquela chatice de sempre: fulana, quanto você tirou em português e em matemática, tirou 9 ou 10, como nas outras provas?  É isso que eu escuto deles o tempo todo.  Tem vez que ele me força à ir a escola num sábado, domingo ou feriado para receber uma droga de uma medalha que qualquer um recebe quando tira a nota máxima.  Ah, meu pai. Eu queria tanto que o senhor fosse só um pouquinho mais meu amigo.  As outras garotas escolhem os seus namorados, mas você vive questionando os meus.  Os outros não ligam se seus filhos experimentam a bebida que faz sucesso na festa ou fique com quem fume um baseado, mas você, não.  Basta que eu suma da alça de mira dos seus olhos para você sair atrás de mim.  Estou cheia disso e logo eu termine o mestrado que vou fazer eu juro que vou embora.  Quero exercer minha profissão bem longe dos seus conselhos, dos seus palpites e dos nãos que você não se cansa de me dizer.