terça-feira, 1 de março de 2016

OLHA O VERÃO AÍ, GENTE!

    Os primeiros raios de sol do verão batem na janela do meu quarto como se pedisse para entrar. Eu me levanto e abro as cortinas dando aos visitantes o meu abraço de bom-dia. O quarto parece uma festa com a claridade despertando as lembranças esquecidas. Uma ducha fria para acordar a gente, café sem leite, pão com manteiga engolido de repente e lá vamos nós. Barraca no sovaco, protetor solar na bolsa de palha, esteira e canga para forrar a areia e deixar colorir os corpos torneados da mulherada. Prancha, muitas, dentro e fora d'água.   Ondas fortes quebrando na pedra espumando por sobre os que queima na areia. Criança correndo, mulheres empinando o que fica melhor empinado. Um ramo de palma branca beijada e devolvida ao fiel que à Iemanjá, rainha do mar tinha ofertado. Mate gelado espumante,  com ou sem limão. Sanduíche natural, misto de queijo com carne ou queijo com frango em papel prateado para proteção - apregoa o ambulante vendedor. Ondas regurgitam da prancha o navegador que sem tirar os olhos do mundo d'água que vê pela frente, rema em sua direção. Louras e morenas da pele bronzeada, perfumada, do corpo torneado como obra de escultor. Muito seio em pouco peito. Pouca polpa em muita bunda. Muitos olhos secando a flor que estufa a peça estreita na parte da frente um pouco  abaixo do umbigo.
De fevereiro a janeiro, de dezembro a novembro é sol o dia inteiro. Este é o verão do Rio, instante em que o pobre com o rico se confunde e operário na areia parece turista.