domingo, 6 de março de 2016

A SEGUNDA MÃE.

A criança nasce, cresce, namora e se casa. Tem uma filha que namora um rapaz e 
mais tarde se casa com ele, mas, para que o gajo fosse aceito na família precisaria abrir mão do que ele mais  gostava e do que mais detestava em detrimento de uma certa felicidade.  Um dia essa criança, nascida  no princípio dessa história, se tornou sogra desse incauto rapaz e como desgraça pouca é bobagem a velha fez um bolo para comemorar mais um ano de vida e consequentemente menos um na vida dele. O jovem que já não é mais tão jovem assim não tinha escolha. Está certo que ele gostaria de poder mandar uma mensagem de felicidades à mãe de sua mulher se ela tivesse viajado para lugar distante e não sabido no dia em que ele se casou, mas, coitado, para agradar a sua mulher o infeliz  estará, agora, bem junto da mesa torcendo para que a chuva de perdigoto apague as velhinhas na primeira passagem ou um pedaço de bolo babado a ele lhe será oferecido.  
Está certo que entre a tristeza de ser lembrado com um pedaço de bolo cuspido e a alegria de ouvir o padre rezar u'a missa na intenção de  sua alma, ele, em nome da mulher e dos seus filhos, prefere o sabor do bolo que, certamente, jamais conhecerá.