terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

PASSADO E FUTURO.

– Como voa o tempo, meu Deus! O que teria dado nele para correr assim?  Na semana passada eu brincava de bola de gude, soltava pipa na rua, rodava peão e detestava ir à escola.  Para ficar mais tempo na rua eu mentia dizendo que não tinha aula, mas mamãe, ligeira como Deus a fez, me pegava pelas orelhas até que da minha boca ouvisse a verdade.  Ontem era eu quem tentava fugir dela para brincar com os amigos.  Hoje são seus netos que escapam de mim para ficar com ela.
 Quanto aos amigos que não desgrudavam de mim quando moleque, ainda pulam corda, jogam bola em frente lá de casa, isso sem falar na  farra que fazem nos arredores da minha memória.  Quanto aos amigos atuais, esses, que a vida mantém a minha volta, estão, neste momento, vestindo a mais provocante minissaia da filha e passando na boca o batom vermelho da mulher. Esses caras, por quem tenho tão grande amor, sofrem vestidos de mulher da vida para arrasar no bloco das piranhas durante os quadro dias, enquanto eu, bobinho como sou, fico tomando cerveja com aquelas que batem palma para o marido requebrar na passarela. 
Antigamente a coisa era de um jeito, mas hoje já é de outro, bem diferente. O importante é o que se faz no intervalo entre o ontem e o futuro.  O resto é pintar a cara, beber cerveja e curtira as boas amizades para que no futuro nos lembremos do hoje, como me lembro do ontem agora.