quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

DA COR DO AMOR...

Entre os desejos que eu mais respeito estão o arrebatamento 
e a escravidão, mas o amor é o que me põe de joelhos.  Não me refiro ao amor de uma deusa ou de uma princesa que aplaudisse meus gestos ou as palavras que eu dissesse, mas de um amor que transcende a singularidade da alma. Um amor inteligente que distingue o choro, do pranto.  E o sorriso, da felicidade. Um amor que discerne entre o rico de bens e o pobre de espírito. Que enxerga a distância entre a misericórdia divina e a  misericórdia de um golpe desferido. Isso porque o amor não é o sentimento que caminha sobre as águas de um riacho, mas pelos labirintos da alma como os  mineiros na escuridão das minas de carvão aonde vivem, trabalham e morrem.  Se eu pudesse amaria como amam os passarinhos, despidos de todas e quaisquer maldades, cantando em bando para quando chegar a  hora morrer com os olhos fixos nas estrelas, mesmo que, como os outros animais não soubesse que passarinho que canta também morre, não de saudade, mas por ter cumprido o legado que recebeu. 
Eu queria viver uma vida como a deles alegrando e esverdeando  as matas, os oceanos e descansar o meu coração transbordante de amor com os olhos fixados nas estrelas.