quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

POR QUE SERÁ?

Ele tem escrito sobre coisas e sobre gente. Tem  dito o que gosta e o que não gosta de um tema e o faz sem medo de represália.  Com veemência tem defendido o direito dos analfabetos, mas também já se calou para justificar o pão na mesa dos seus filhos. Já pagou  escola para filho de amigo, como já pegou  filhos de gostosas no colo para ver a mãe de perto.  Já levou flores ao cemitério na pretensão de pagar contas devidas mentindo que era por saudade.  Já se sentou em banco de igreja, não para rezar, mas para descansar as pernas. Já trabalhou em troca de nada e nada talvez ele tivesse feito para 
receber a graça que tem.
  
Talvez cansado de tudo isso ele quisesse dar outro sentido a sua vida.  Quem sabe quisesse ele dizer sim para o momento do sim, e não, para o momento da negação?  Também pretendesse se sentar sem ter que justificar seu gesto.  Quisesse chorar sem precisar dizer se é de felicidade ou de tristeza ou quisesse acordar em plena madrugada para abraçar o sol ou também sonhasse mudar o mundo achando que por menor que fosse esse gesto em prol de tamanho desejo, faria, para ele ao tomar essa atitude,  toda a diferença.