segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

ORAR NEM SEMPRE É PRECISO.

     
        Não era uma tristeza causada pela partida de quem amava, como também não era a lembrança de uma vida boa que apertava sua garganta como se o quisesse sufocar, não.  Não era esse tipo de tristeza que o deixava nesse estado, mas a tristeza em não saber se os seus netos seriam educados como ele tentou educar seus pais para que não sofressem o que ele havia sofrido.  A tristeza a que ele se referia não doía em sua carne, mas na alma de quem deseja o melhor, não para facilitar  suas fraquezas, mas para os seus filhos que certamente haverão de querer o mesmo para os deles.  Esse desabafo não foi sobre o ombro de um amigo, mas por quem olha a linha do horizonte buscando pela paz e pela tranquilidade.   Será que alguém deseja um ombro melhor do que a introspecção se ele, mesmo se conhecendo como se conhece, se vê perdido no labirinto da dúvida e da incerteza?
     Essa pergunta poderia pertencer a quem  vive pensando na vida, não só na sua, como nas de quem o cerca, mesmo tendo partido da boca de quem não reza para Deus se uma prece for preciso para agradar aos seus contrários. Dessa maneira lhe surpreende a resignação já que a dúvida só existe quando a fé não é verdadeira, pois se fosse, tudo seria luz, paz e alegria, mesmo que para isso os inimigos se agregassem aos rivais e estes nos dessem as mãos.