terça-feira, 29 de setembro de 2015

RECORDAR É VIVER OU...

       Quando fui bancário eu tive o privilégio de conhecer um cara de quem me tornei fã e depois amigo e durante muito tempo depois de sua morte eu não quis mais papo com ninguém. Só agora, depois de tanto sofrimento,  eu resolvi falar. Esse amigo era um sujeito generoso, bom caráter e bastante responsável. Não queria o que não tivesse feito por merecer, mesmo assim fazia questão de dividir com os mais necessitados.  Um dia esse cara, cujas lembranças umedecem meus olhos, atendeu o telefone. Do outro lado uma voz aveludada o deixava bastante embaraçado.  Talvez fosse aquela a voz a mais bonita das que já tinha escutado, fora a curiosidade que despertava nele.
- Alô! – Disse meu amigo.
-Quem está falando? – Perguntou a voz aveludada.
- Você quer falar com quem? – retrucou quem atendia.
- Com o gerente, ora bolas!
- Pois fale, eu sou o gerente – respondeu.
- Qual o seu nome, Senhor gerente?
- Edsonluiz. Isso mesmo, um nome com som de dois...
- Tudo no senhor é dobrado, senhor gerente ou só seu nome tem essa grandeza? –  Novamente sussurrou a voz.
- Bem, como eu não te conheço, não tenho como responder tamanha maledicências, caso contrário diria que também meu nome tem essas proporções.
- O senhor acaba de atiçar a minha curiosidade e como eu sou uma garota muito exigente quanto a peso e medida não vou acreditar que o senhor tenha a coragem de mostrar o que acaba de afirmar.
- De mostrar o quê, menina? O meu nome ou a pessoa que eu sou? – Respondeu entre sorrisos.
- Eu quero que me mostre o que disse que era proporcional ao seu nome, bobinho. – Retrucou com picardia.
O gerente desligou no meio da conversa e foi ao bar para um café. Achava que agindo dessa maneira evitaria a esparrela que se formava.
Na manhã seguinte os telefones não paravam, até que Edinho se deu ao trabalho de atendê-los.
- Alô!
- Posso falar com o gerente?
- Ah, você de novo? – Respondeu como se ela o chateasse.
- Sim, sou eu. Ontem você desligou na minha cara. Achei uma falta de respeito o que você fez, sabia? Por isso estou ligando em todos os telefones para ver se você atende, caso estivesse fugindo de mim.
- Garota, garota. O que você tá pretendendo comigo? Sim, porque, pelo que vejo você não tem assunto para tratar com ninguém a não ser comigo.  Portanto, fale agora ou vá procurar um livro para ler, um vídeo para assistir ou então, por favor, me deixa fazer o que o banco me paga para ser feito... 
- Sabe o que é, seu gerente? E que eu queria muito que você se encontrasse comigo, mas tinha medo que você me dissesse não, por isso insisti nos telefonemas aguardando o momento certo para te pedir que viesse à minha casa, já que assim eu poderia falar e ouvir o cara de quem tenho as melhores referências e a quem aprendi a ter grande admiração – E concluiu – Anote o meu endereço, mas não deixe de me dizer quando e a que horas você vem me visitar. Prometo que você não vai se arrepender...
Assim foi combinado, e assim foi feito.
No mesmo dia, depois do expediente, lá estava Edinho no portão da moça suando como um colegial na primeira vez. Uma mulher magra, alta, vestindo um longo, preto, foi recebê-lo. O sujeito não escondia o nervosismo, mesmo que ela, com um sorriso bonito, tentasse acalmá-lo.  Ele achava que ela, a mulher de preto, fosse a garota com quem se encontraria, mas estava enganado.
-Entre, por favor. Andreza o aguarda desde o momento em que combinou esse encontro.
Ao ouvir tais palavras Edinho ficou sabendo que não era com a mulher de preto que veio se encontrar.
Nervoso, porém firme, foi levado a um cômodo aonde, na penumbra dos aposentos, a dona da bonita voz ordenou que entrasse. A mulher de preto os deixou sozinhos fechando a porta às suas costas. Uma luz forte permitiu que o mais  belo de todos os sorrisos fosse notado. O mais lindo dos pares de olhos com o qual já foi visto, fez cair-lhe o queixo. Enfim, ele estava diante da mais linda de todas as mulheres que Deus colocou nessa terra. Era ela dona de tanta beleza que ele nem se deu conta da cadeira de rodas em que estava sentada. Por isso a indignação de não vê-la se levantar para abraçá-lo. Refeito do choque ou do mico, Edinho se deixou cair de joelhos à sua frente enquanto ela, com a leveza dos colibris beijou os lábios dele. Beijo com gosto de bala. Não da bala que fere ou que mata, mas dos cubinhos adocicados que aromatizam a alma.
    O tempo seguia o curso ao passo que ele seguia à casa dela no intuito de sentir na boca o gosto da bala com sabor de beijo. Com essa desculpa Edinho voltou muitas vezes até o dia em que o destino, ah, esse filho da puta enciumado, decidiu por levá-la de sua companhia. 
Ela se foi sem que o rapaz ficasse sabendo de sua partida. A moça de voz de gata manhosa já tinha firmado um compromisso com a morte sem o conhecimento do bancário. Talvez todo mundo soubesse do acordo e só ele não tinha sido avisado.  Da mesma maneira que ele cumpriu com a promessa indo conhecê-la, ela também deveria ter cumprido com a dela no momento em que se entregou à doença. Talvez por isso nela viçasse tanta beleza, e a lucidez era tão natural que se deixou  apaixonar por uma pessoa que também a amou como ninguém seria capaz em tão pouco tempo.  Andreza não só amou e lutou por aquele moço como teve da parte dele o mais puro e bonito sentimento pelo qual ela sempre sonhara. Ela se foi para nos deixar saudosos, inclusive a ele que meses depois faleceu, não se sabe se de tanto amor ou de tamanha tristeza. Edsonluiz foi um exemplo de caráter, e foi com quem aprendi o que era decência e respeito, gratidão e vergonha.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

DIA DA ÁRVORE.

   
       Lembro como se fosse hoje da primeira de algumas machadadas que a vida lhe deu. O dia estaria lindo, como lindas são as manhãs primaveris não fosse um, ai!, que se ouviu vindo de longe. Não se tratava de um grito de dor ou gemido de sofrimento, mas um alerta, um pedido de socorro clamado por quem nascia naquele instante.  Nascia para sucumbir logo depois, pelo menos foi o que a parteira afirmou sustentando nos braços um ramo de mato, u'a muda de qualquer coisa parecida com um vegetal, que de fato aquilo era.  Mesmo sem chance de vingar ela foi plantada entre outras mudas na esperança de adubar a terra depois de morta.  Contrariando as previsões, eis que a planta vinga e desponta entre as que tinham em suas bases placas indicando seus nomes; árvore nobre, madeira de lei etc. O tempo passava e a muda até tirava os olhos e o nariz de entre as folhas amareladas dispersadas pelas que, só de sacanagem, faziam sombra além do necessário.  Ela crescia tanto que já não morria de frio na sombra das outras e até via o céu se pintando para o nascer do sol. Agora adulta floria como algumas e até fechou o verde quando ficou sabendo que os beija-flores anunciavam aos sete cantos da mata o nascimento dos seus primeiros frutos, como poucas conseguiam. Um, dois, quantos ela não se lembra, pois o tempo lhe roubava, a cada dia, a memória que antes era tão boa. Mais tarde viriam os frutos das novas semeaduras e depois os outros das novas sementes que empobreceriam a terra a cada flor que nela desabrochasse. Era isso que achava da vida por ter sido instigada a não almejar nada de bom para si. Outras machadadas foram acontecendo no decorrer da vida, mas esta, no entanto, dói mais que qualquer outra das quais achava ter se esquecido. Não era a certeza de morrer antes da hora como afiançou aquela que aos seus olhos permitiu que visse a luz do sol. Não seria o provável aleijão dos seus ramos por viver na sombra úmida dos fortes e dos ricos, como fora induzida a acreditar, mas a dor de ser ferida, talvez de morte, por um golpe que acreditava não ter feito para merecer. 
   Ainda estamos no meado de setembro e a primavera já perfuma as flores, o incomparável azul do céu induz a passarada a preparar seu ninho porque é festa na natureza. O inverno tem este poder, talvez o mais belo entre muitos; enfeitar o mundo na hora da despedida pois a última impressão é a que fica, ou, quem sabe, não seria essa a forma escolhida de dar boas vindas à estação que do lado de fora nos bate a porta? 
    Ela jura que ficou tonta com o golpe. Pode ser labirintite, como também pode ser a machadada que a feriu tão profundamente que qualquer vento, uma brisa que seja, pode lhe balançar o tronco a ponto de jogá-la ao chão.  
    E como diz a minha avó, é possível desfolhar a planta com uma faca, com um facão se desmatar um cerrado, com um machado se derrubar a floresta e com palavras mal ditas se jazer uma vida de muitos anos, mesmo que seja a de uma árvore velha e vagabunda que para alguns não serve nem para queimar, mas na floresta talvez prestasse para poleiro de passarinho.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

UMA DURA VERDADE...

Certa vez li um artigo onde uma psicóloga
afirmava que todos os homens já tinham brochado diante de suas mulheres e seria um mentiroso, taxado por ela, aquele que negasse a sua afirmativa.  
Pela enésima vez um pseudo doutor em psicologia me indignava com suas palavras mentirosas, mas como eu precisava fechar a coluna que escrevia para o jornal, eu nada respondi. 
Na manhã seguinte não encontrei o artigo que tanto me indignara, por isso me decidi por pichar toda a minha revolta fosse onde fosse, só que não encontrei um muro bastante grande onde ela coubesse.
Certo dia encontrei, por acaso, o blog da doutora e como eu precisava dar voz a minha raiva, a minha indignação que ainda me corroía finalmente desabafei; como alguém pode generalizar dessa maneira se não conhece todos os homens  do planeta?,  e se conhecesse e os caras brochassem diante dela, o problema não seria deles, mas dela, da parceira.
Quando a galinha é boa o pinto não falha, diria minha avó.
O meu pai, coitado, já provou da acidez daquela fruta. 
Ele, com 74 anos e uma vida sexual bastante ativa – está casado há oito 
anos com uma garota de  trinta e seis que faz cem metros em dez segundos 
quando o sexo é a meta.
 Ele tem transado quatro vezes por semana nesses anos de casado e 
nem precisava falar sobre esse assunto comigo porque eu, assim como os meus filhos ainda não tivemos queixas de nossas mulheres e isso me leva a acreditar que a doutora foi muito infeliz com essa afirmação ou quem lê o que ela escreve não discerne ou é desprovido de raciocínio.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

QUE FRIO, QUE NADA.

 

        Tem feito um frio danado aqui no alto da serra. Tem momento que eu, que venho de uma cidade onde a temperatura bate os 40 graus sem o menor sacrifício, me agasalho, fecho a casa, massageio os dedos e só depois de um café bem quente me disponho a digitar meus textos, e faço isso aqui mesmo, na minha casa, porque lá fora o vento corta como navalha. No Jornal Nacional a garota do tempo vem afirmando que a coisa vai melhorar, mas como a gente mora longe dos grandes centros e o clima por aqui tem feito tudo para contrariar os estudiosos, não vejo como arqueiro algum possa matar a mosca com essa flecha.  Se a Maju, como carinhosamente é conhecida, nos diz que vai chover e fazer frio, o tempo, só para deixar a garota com cara de chuchu, nos põe uma pizzas embaixo dos braços e o corpo nos molha de suor.  Mas se ela diz que vai dar praia eu corro em busca da capa e do guarda-chuva porque, com certeza, não será isso o que vai acontecer. Hoje, por exemplo, eu achei que o sol viesse dar as caras para secar as roupas estendidas no varal, mas que nada.  Apesar do dia claro e bonito o rei não demonstra força para secar coisa nenhuma. Enquanto isso eu me mantenho gordo, gordão, gorducho, vestido com tanta roupa como tenho ficado, e se isso não bastasse, a gente ainda precisa de um GPS agregado a cintura para encontrar aquilo com o quê se faz xixi, quando tem vontade. Eu tenho um amigo, que não tem saído dos meus textos, que sofre quando vem me ver. Na hora de esvaziar a bexiga o pobre coitado precisa chamar a mulher que não reclama de procurar o que fugiu de suas vistas enquanto ela, com toda a calma do mundo o traz à luz com suas unhas poderosas.  Eu não tenho coragem de dizer a ele para amarrar um barbantinho no dito cujo, pois só assim não precisaria se envergonhar, se é que ele se envergonha com essas coisas, de ter que chamar a patroa para uma missão desse quilate. 
     Enfim, o frio é de lascar, mesmo. Todas as noites a moça, não a do tempo, mas aquela que vê tudo pintado de verde, tem feito um chocolate quente que só vendo. Ele tem a temperatura das lareiras na distância correta; nem muito longe e muito menos tão perto, e a cremosidade das grandes padarias teresopolitanas de onde, com seu encanto pessoal, a bela mulher de olhos de esmeralda conseguiu a receita até então, guardada sob o segredo de todas as chaves.

domingo, 13 de setembro de 2015

E OLHA QUE NÃO ERA SONHO, HEIN!

Meu celular tocava incessantemente na manhã da última terça-feira, mas como o número que 
chamava era restrito eu não tive pressa em atender. Era uma voz bonita de mulher que até me lembrava uma pessoa que viveu comigo. Sem me dar chance de dizer que eu não era o Jair, por quem ela procurava, desandou pedir desculpas por não ter permitido que eu fizesse com ela o que há muito vinha tentando, e como achava que tal fato me afastaria do seu convívio, decidiu ligar, pedir desculpas e se retratar num outro  encontro. Bastante excitado afastei a vergonha de lado e como cafajeste que eu pensava ter deixado de ser, perguntei se dessa vez não ia dar para trás, como já tinha feito. --Não, claro que não. Eu até falei com umas amigas que me garantiram que o prazer não é só de quem propõe, mas também da mulher, desde que o parceiro seja carinhoso e gentil como eu sei que você é, concluiu a pessoa de cuja voz mexia tanto comigo.  E para incrementar a relação eu perguntei o que ela faria e de que maneira procederia para realizar o sonho que eu tinha e ainda por cima tirar proveito da situação. Ansioso pela resposta eu devo ter gaguejado quando fiz a pergunta, mas ela, demonstrando ter ficado feliz em saber que um novo encontro aconteceria entre a gente, respondeu que comprara um gel à conselho de uma garota especialista no assunto e até estava com ele na bolsa naquele instante. E como eu não achasse que as respostas tinham a grandeza do meu atrevimento,  disparei novos e mais certeiros dardos, desta vez com as pontas envenenadas.  Eu precisava saber mais dessa mulher, por isso voltei à carga; e como você vai fazer na hora em que tudo estiver besuntado de gel, como você fará para realizar o meu sonho?, e ela me respondeu sem pestanejar; -- Vou mandar sua mãe sentar em cima, seu cachorro depravado. Quem está falando aqui e  a sua ex-mulher, seu safado sem vergonha! 
Desliguei na cara dela e corri para trocar meu número.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

É FOGO, GENTE. É FOGO.

       Da ampla janela envidraçada da minha sala ou da varanda que debruça do meu quarto, eu vejo, com lágrimas embaçando os meus olhos, o fogo assassino lamber uma boa parte da mata atlântica que teima colorir de verde a nossa, antes, tão bela cidade. Na noite anterior eu e alguns bons amigos bebemos aquilo que às 3h me fez levantar, não para apagar o incêndio e quem me dera pudesse fazê-lo, mas para hidratar meu corpo ressecado pelos destilados que bebemos.   Gravei algumas imagens, como eu tenho certeza, muitos também fizeram, para denunciar a covardia da queimada e o descaso do nosso órgão (in)competente que até certo momento nada havia feito para apagar às chamas que aos poucos destruíam o que havia em seu caminho. A fumaça, ardendo em nossos olhos, pouco nos permitia ver da área destruída naquele dia e por lá, pelo menos que eu soubesse, ninguém deu as caras para dimensionar o tamanho da desgraça ou ver se o fogo ainda ardia. Não fosse um pouco de chuva que mais parecia lágrima chorada por quem sofre com a perda e nada mais de verde nos restaria. 
       No futebol a gente já não tem o que nos faça rir, como na política nada nos enche os olhos ou se tem notícia de que o dinheiro desviado através de falcatruas e impostos mal cobrados, serão revertidos à saúde, à educação, ao emprego e à segurança do trabalhador. 
     Enquanto isso o Mengão vai comendo o mingau pelas beiradas enquanto o Vasco, infelizmente,  amarga uma nova derrota. O Fluminense também já não diz ao que veio. Tem hora que parece que vai deslanchar no campeonato, mas tem vez que nem para empatar com pequenos o bicho presta.
       Assim tem sido o dia do carioca de todas as cidades do nosso estado; fogo na mata e água na competição. Se falta dinheiro para os políticos a questão é resolvida com novos impostos que a eles levam a paz que precisam para continuar na boa vida que o mandato lhes proporciona, enquanto a gente não consegue nem um lugar para sentar na fila do SUS aonde se busca por uma senha que nos dará o direito ou não de consultar o médico que dorme no plantão.
      A cidade está coberta pelo manto enfumaçado da queimada e o futebol carioca nos humilhando. Isso sem falar no comércio estagnado a espera de um incauto futuro inadimplente, e eu aqui sentado, cuspindo o gosto de cabo de guarda-chuva que o diabo do álcool me pôs na boca.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

AS APARÊNCIAS ENGANAM...

           Fui apresentado a um sujeito que há muito tinha na poupança o que poucos daquele lugarejo já conseguiram.  Mesmo assim levava a vida como levam os miseráveis. Peço desculpas por comparar um sujeito desse tipo aos que a vida lhes virou às costas.  Na ocasião eu cheguei a pensar que ele tivesse uns oitenta anos de idade. Só que não. Pouca coisa mais da metade ele tinha, mas aparentava um século de frustração, revolta e sofrimento. A ele fui apresentado por quem saltitava na bonita e saudável terceira idade a que pertencia, enquanto o sujeito, de quem estou falando, aparentava de todos ser o mais idoso. A ele era preciso dar satisfação do que era  feito ou se pretendia fazer no "condomínio onde morávamos", mas com o tempo, todas as peças encontraram seu lugar no tabuleiro. Aí eu apaguei a transparência da minha vida, não por ele me ignorar como fazia, mas por não merecer que nenhuma pessoa do bem lhe desse ouvidos. Foi uma bênção a gente ter tomado essa providência, pois com o passar dos dias se foi notando que algumas coisas sumiam da minha casa e só agindo com um pouco de malandragem eu fiquei sabendo que ele seria o autor dessas façanhas. Com auxílio de gente de sua estirpe ele fez um gato na minha luz e com outros iguais a ele desviava a minha água para a sua residência. Sua mulher, que também não saía da igreja, se calava diante dos maus feitos do marido nos dando a mim e a minha família a certeza do quão desonestos eram. O agravante, a meu modo de ver, é constatado na defesa que fazem da igreja evangélica a que pertencem, como se eles fossem um exemplo a ser seguido. Tais pessoas são capazes de discriminar os gays como se na sua família não tivesse, pelo menos um, que dividisse os gomos da mesma fruta.  Fora o comentário pejorativo que fazem dos erros dos outros como se eles também não os cometessem.
        De todos os males que vem fazendo à humanidade, talvez o voto que deram à Dilma seja de todos o pior.