terça-feira, 30 de junho de 2015

ANJOS ATRAPALHAM OU AJUDAM?

    Tudo nela era perfeito. Os lábios, o formato dos olhos, os cabelos invejados e o corpo que tirava o fôlego dos homens e das mulheres. O que fazer para agradecer a Deus pela dádiva recebida?, pensava a moça  nos seus viçosos 18 anos. Reze por quem sofre, diziam alguns. Faça doação a uma casa de caridade, respondiam outros. Nada como ir a um hospital visitar os que sofrem, comentavam os mais velhos. E foi com base nessa última proposta que Aída deu início a sua obra de caridade. Quando adentrava as alas das crianças o sorriso da moça acendia as luzes que nem sequer existiam ali.  Ajudar com a sua presença, com o seu sorriso e as suas doces palavras, com certeza era o que melhor sabia fazer. Na ala das mulheres vivia a jovem Aída a receber elogios, conselhos de como se defender dos homens e isso certamente levava as enfermas a um estado muito melhor, mas era na ala dos homens que a coisa ia mais longe. Se não todos, pelo menos a maioria se arrumava para receber aquela que era para eles o colírio da visão dos cegos, a muleta dos aleijados, o som que os surdos achavam ouvir e o regozijo dos infelizes.  Marcondes de Souza Pereira, 56 anos, carioca de nascimento e mecânico por profissão estava internado há seis meses com uma doença degenerativa e nele eram feito todos os exames e testados alguns remédios.  Sua mulher e os filhos pequenos que moravam em outro estado nem sempre podiam vê-lo deixando o doente sozinho nos dias de visita.  Foi com base nessas dificuldades que  Aída se compadeceu.  Para uma pessoa com esses afins o hospital não se dispunha a dizer quando a hora da visita acabava e por isso, muitas vezes Aída cochilou ao lado do mecânico que por sua vez não arredava um músculo para não espantar aquela que Deus mandou para amenizar a dor que ele sentia. Teve momento que Aída lamentava vê-lo sofrendo.
      O cara, porém,  estava vivo e muito vivo, e foi num desses momentos de euforia que Marcondes, chorando, confidenciou a moça o sonho que vinha tendo e como a moça insistisse contou-lhe, meio sem jeito, que os anjos cochicharam, entre eles, que somente a moça permitindo que ele ditasse a cabeça entre os seios nus dela ele obteria a cura.  Era preciso, no entanto,  que fosse em três noites consecutivas.  Ele jurou que jamais pediria tal coisa a uma pessoa tão generosa e pura como ela, mas a possibilidade de se ver livre do mal que o afligia era tão grande que resolveu arriscar perdê-la a se calar.
 
       -O mecânico que tinha sua dores controladas pelos médicos demonstrou aos que muitas vezes o viram saindo do motel com uma menina que mais parecia  ser sua filha,  que já estava bem melhor graças a Deus, digo, aos anjos
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sábado, 27 de junho de 2015

DEPOIS DO BAILE...

     Saiu do futebol que jogava nas sextas à noite e, aceitando o convite do amigo foi até a casa dele onde mora com a irmã. Lá tomou banho, conheceu a irmã que, com tão pouca idade, já tinha corpo, cara, jeito  e o mesmo fogo da mulher que se arrisca em troca de novidades, mesmo que pretensiosa a esse ponto ela não fosse. Mais tarde os dois rapazes iriam a um baile funk, quem sabe à caça de novas conquistas? A irmã do amigo, no entanto, não saía dos seus pensamentos e se ela não fosse ainda tão menina ele daria um jeito de ficar com ela aquela noite. Talvez por descender de senegalês ele tivesse certeza de que deixaria nas areias litorâneas da vida dela o registro dos seus passos. Durante o tempo em que ficou na festa o jovem afro descendente praticamente não bebeu, porém fingia estar bem alto. Na saída os dois poderiam ter convidado qualquer uma daquelas moças que ficam na rua depois do baile com propósito de esticar a noite até que ela rebente, e muitas vezes nem se importam com quem fazem isso. O amigo, no entanto, preferiu levá-lo de volta a casa e retornar para dormir na sua.  Assim fizeram, mas ao chegar a casa do amigo resolveu ir ao banheiro, com isso ganharia tempo para rever a garota caso ele tivesse despertado nela qualquer tipo de interesse. Esse tempo não só foi suficiente para revê-la como para os irmãos, de comum acordo, convidá-lo a passar aquela noite evitando com esse geste precisar fugir das prováveis blitz da lei seca.  Aquilo era mais do que ele poderia desejar. Passar uma noite ao lado de uma potranca selvagem igual aquela era o mesmo que acertar os seis números da mega sena, e até o momento em que ela o levou pela mão aos aposentos, previamente preparado para ele, o rapaz não se dera conta de que ela tinha, como ele, as mesmas intenções, e como o gajo demonstrasse interesse em tomar uma ducha a garota tratou de levá-lo ao banheiro dos fundos da casa para em seguida trazer-lhe uma toalha. Quando chegou ao lugar aonde o tinha deixado, eis que o seu deus de ébano estava como veio ao mundo, quer dizer, muito melhor do que quando veio, pois tinha tudo aquilo viçando, meio assim, meio assado, entre os membros inferiores. Talvez aquela imagem fosse mais bonita do que o dia ensolarado de primavera que havia feito, concluiu em pensamento, mas sem largar a toalha que trazia junto ao peito e tirar os olhos gulosos de entre as pernas do rapaz. Estática se manteve ali de pé até que foi por ele despida e  levada à cama aonde viveram em tão pouco tempo os momentos mais longos e felizes de suas vidas. 

terça-feira, 23 de junho de 2015

SE BEBER, POR FAVOR, NÃO DIRIJA.

         
          O irmão de Rose chegou com um amigo do futebol que joga nas sextas-feiras a noite a quem a apresentou.  Os dois rapazes, que de dança nada entendiam, combinaram de ir a um baile funk próximo a casa dela para ver como é que era.  Ela, que de todas as raças escondia a preferência pela negra, eriçou-se com a chegada do rapaz.  Os dois conversavam, como se amigos fossem de longos anos, enquanto o irmão tomava banho, mas na vez do amigo com quem ora conversava, mesmo antes de a porta do lavabo se fechar a garota já imaginava todos os movimentos que faria. A cada peça que possivelmente ele tirava, ela, na sua fértil imaginação se arrepiava até que nu na sua frente ela achasse que estivesse.  Deitando de lado a última peça que vestia ele ergueu uma das pernas para ver em que estado ela ficou com as porradas que na partida recebeu. Imaginando vê-lo desse jeito cada um dos seus vários desejos umedeceram na memória da menina e se não fosse o irmão perguntar se ela estava com os pensamentos no mundo da lua e a garota teria tido um orgasmo no corredor entre seu quarto e o banheiro onde o recém-chegado se refrescava.
         Envolto numa toalha o rapaz fechou a porta do banheiro atrás de si. A toalha, como ela desejava, não deixava pista de querer cair, porém seus olhos não tiveram a mesma sorte, caíram sobre ele na altura do abdome definido para ali se fixarem por todo o tempo que lhes foi possível, e foi mordendo os lábios, contra vontade que os desgrudou do volume que a toalha mal disfarçava. No seu quarto, Rose, não pensava em outra coisa. - Não me importa se sou virgem ou quando e com quem deixarei de ser, pois o que me interessa de verdade é que esse cara durma essa noite aqui em casa e como eu sei que no lugar aonde eles vão ninguém fica sem beber, nem sair como eu tinha combinado com minhas amigas eu quero mais, só para vê-lo chegar e na cama ao meu lado me deitar. As mesmas forças, que não precisam ser tantas para trazê-lo do baile até aqui, serão suficientes para que tatue na minha vida o melhor momento que certamente foram reservados para mim. 
     Era alta madrugada quando o amigo parou o carro para deixar o irmão dela. Rose, que ansiosa os aguardava vestindo uma linda camisola no obscuro da janela, fingia ter levantado naquele momento e num gesto orquestrado tomou-lhe das mãos as chaves do carro evitando que fosse pego na lei seca por ter bebido. Dizendo que álcool e direção não combinavam a garota o envolveu pela cintura com um braço e o levou até um quarto nos fundos da casa que com muito esmero preparou para, tempos mais tarde, ouvi-lo dizer que naqueles aposentos dormiu o mais reparador de todos os sonos. 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

GOL DA ALEMANHA!



     Engraçado. Se eu digo que o amor é doído, que magoa e faz sofrer, logo vem alguém dizer que eu nunca me apaixonei ou teria sentido qualquer coisa parecida ou ainda, quem sabe, eu já não estivesse caducando, pois o mencionado sentimento seria o único capaz de construir para a eternidade, como bem diria Marques Rebelo. Tal fato me leva a crer que tudo ou quase tudo que você escreve não interessa, não tem crédito ou é mentira. Tem uns que, corajosos, aplaudem o seu trabalho enquanto outros, nem sempre a minoria, entortam a boca como se quisessem morder a própria orelha. Eu sei que tem gente que aprecia o meu jeito de escrever, enquanto uma boa parte lê os meus rabiscos por não ter opção menos ruim. Talvez seja por isso que existe um cronista para cada gosto. Uns bastante temperados enquanto outros vêm com pouco ou quase sal nenhum. Gostaria de deixar claro que esse artigo não é uma queixa, mas é um esclarecimento, haja vista que eu prefiro a crítica negativa ao silêncio dos falsos eruditos. Hoje, por exemplo, um amigo aplaudiu o texto em que eu falava do exemplo de bravura dos atletas tricolores cariocas no estádio da bombonera, mas não deixou de excomungar este pobre diabo por ter escolhido o time da Gávea para torcer. Ah, vai tomar banho. O que estava em questão era a valentia do Fluminense e não o meu gosto particular. De qualquer maneira eu me amarrei com o que falaram, mesmo sabendo que a escolha de um time para torcer não quer dizer que o cara é mais inteligente ou menos letrado, que é mais bonito ou menos rico que os outros. No fundo, no fundo. Somos todos um bando de bobalhões perdendo tempo para ver um time que gasta milhões em salário e mesmo assim esses pernas de pau nem para acertar os passes prestam e ainda por cima nem sempre ganham quando jogam com times considerados pequenos.
- E tenho dito.

domingo, 14 de junho de 2015

SUANDO FRIO.

       
Deixou o carro na concessionária e retornou de ônibus até ao banco no centro da 
cidade. Com o jogo de cintura próprio das pessoas magras, nada contra as que não são,  esgueirou-se até o meio do coletivo e de pé, frente a um banco onde uma morena se sentava o cara se postou. Ela o olhou de rabo de olho e ao melhor se acomodar no banco encostou o cotovelo um pouco abaixo da cintura do rapaz. No princípio ele pensou que o toque fosse acidental, mas a cada sacolejo o mesmo braço que segurava na proteção do banco da frente também massageava uma virilha, ali, a um palmo do seu ombro. Aí o cara percebeu que o caso era mais sério do que pudesse acreditar a nossa vã filosofia e para evitar qualquer tipo de problema quis se arredar de onde estava, mas como sair se num aperto como aquele nem os pés no chão ele conseguia ter?  Achou que talvez fosse melhor rezar, pedir a Deus para brochar ou que nenhum dos seus desejos, por mais santo que fosse, pudesse despertar do sono que dormia. Mas que nada. O rangido que o bilau fez ao acordar deve ter sido muito parecido ao de uma porta emperrada se abrindo. Abriu-se e ficou escancarada aos afagos de quem sentava a sua frente, aos olhos das curiosas que assim, tão de perto, viam o que estava acontecendo, mas talvez até quisessem trocar de lugar com aquela que o provocava. Nada disso, no entanto nele metia medo, a não ser os homens ali presente que espumavam de inveja, isso sim é que era foda. Por que esse sujeito precisava ir ao caixa eletrônico se o movimento que fazia em sua conta era pelo celular? Por que não aceitou que a concessionária o levasse de volta a casa para evitar esse tipo de coisa?  Não sei o que fazer, aliás, não sei como sair daqui, pensava o cara. O ponto aonde eu precisava saltar a muito ficou pra trás. A cara dos que se apertam ao meu redor eu já não vejo, como o medo do que possa me acontecer eu já não tenho, aliás, eu já não vejo, não sinto, não escuto  e não quero mais nada depois desse momento  quando as minhas pernas se tornaram bambas e não me obedecem, o suor escorre do 
meu rosto até a gola da camisa e algo estranho, mas que eu não desconheço, escorre pela minha perna e empoça na meia,  dentro do meu sapato. 
-Essas foram suas últimas palavras até que de porrada os passageiros revoltados o cobriram...

terça-feira, 9 de junho de 2015

AOS PÉS DA FRANCESA.

        
       A medida que escurecia a chuva ia aumentando. Os relâmpagos dimensionavam a tempestade e os trovões que pareciam derrubar a casa ensurdeciam aquelas que nada além deles conseguiam ouvir.  Diva, no entanto, com seu ouvido de tuberculoso ou um sentido especial que parecia ter, pressentiu que alguém ali bem perto precisava de ajuda. Ao abrir a porta viu um homem ajoelhado, parecia agonizar. Ao lado uma espingarda de caça dobrada pronta para recarregar, mas sangrando como sangrava, nada esse homem poderia fazer que não fosse torcer por ajuda ou se deitar nos braços da morte. Eram prementes as possibilidades, mas só os que ocupavam a casa poderiam decidir.  Beth, com quem Diva acendia as primeiras chamas da lareira era só felicidade. Estar em Crest com a melhor amiga num chalé aos pés das montanhas francesas era um sonho que se repetia. Alí, há dois anos, dividiram a mesma felicidade sem que nada, como agora, lhes tirasse o desejo de voltar.  Diva era sua amiga desde os tempos de escola, talvez a escolhida para acompanhá-la aonde quer que fosse como há muito vêm fazendo. As duas, que no quentinho do chalé, curtiam o tamborilar da chuva no telhado correram em acudir Menezes.  O homem tinha saído em socorro do cão que, segundo se esforçando ele contou, estava sendo atacado por um urso que, não se sabe como, atravessou o rio em busca de comida. Menezes só contava com o cachorro por companhia e sabê-lo ferido ou morto causava-lhe muita agonia. As garotas só tiveram conhecimento dessa história 48 horas depois, quando Menezes finalmente deu cor de si. Nele as moças deram banho, vestiram roupas limpas de mulher, porque eram as únicas que dispunham antes de cuidar do ferimento. O mais difícil foi a remoção de alguns fragmentos de chumbo, mas nada que o álcool não resolvesse. Menezes não sabia aonde enfiar a cara quando percebeu que as duas o viram nu e que o apalparam quanto quiseram num quarto longe de olhos bisbilhoteiros; logo ele que tinha atuado em vários filmes pornôs graças aos atributos que carregava.
      Três dias após o acontecido, Menezes voltou à sua casa achando que dele as moças se fartaram enquanto as duas, dentro de um carinhoso abraço, se beijaram até cair sem fôlego.

sábado, 6 de junho de 2015

VONTADE QUE DÁ.

    Quantas vezes já te quiseram mandar às favas e quantas outras tu tiveste esse desejo?  Tem momento que a gente tem vontade, não só de ir  embora da vida da outra pessoa como também da nossa  se ela  vai se tornando insuportável. Quando alguém se vê nessa situação é porque o copo está mais para meio vazio do que para meio cheio e se a gente não deu um basta ainda é porque acredita que a relação tem jeito. Eu, sinceramente, não acredito. Esse negócio de discutir relacionamento é conversa do boi tatá, pois quando um é chamado às falas  o outro vem com  seus porquês acendendo o estopim da briga ou continua agindo da mesma maneira longe do conhecimento do parceiro. Do que adianta você buscar salvar um casamento se o outro não cuida do que a ele foi designado? Isso se você estiver fazendo a sua parte caso contrário não haverá jeito que dará jeito.  Eu tenho um casal de amigos que jurou parceria e fidelidade em tudo que fizesse. Combinou que fulano faria isso e ciclano aquilo, mas com o passar do tempo o acordo foi caindo no esquecimento. Enquanto ele trabalhava em busca do sustento da casa ela se dedicava ao social.   Ele lutava para fazer o dinheiro render ao passo que ela com a Internet e os amigos encontrava  jeito de gastá-lo. Enquanto ele, das 8 às 20h, tirava uma hora de almoço e quinze minutos para um cafezinho ela servia bolos de vários sabores aos que, não sabemos por que, não saiam de sua casa. O marido chegava cansado e suado para encontrá-la bonita, fogosa e perfumada como se fosse a uma festa. Do jeito com que ela tratava os amigos que a visitavam e que não tiravam os olhos de suas pernas e do seu belo par de peitos, cuja dona fazia questão de manter bem preso  para não saltar de sua blusa como volta e meia parecia que ia acontecer, a coisa não poderia tomar outro caminho. O marido não concordava com os riscos que a situação criava. Até porque, de longe, quando chegava do trabalho,  já ouvia a voz da esposa e da visita que corria para ele com elogios à sua mulher enquanto ele, é claro, fingia amar o carinho que demonstravam ter por ela. Esta situação não poderia durar muito, como não durou.  Ou ele mandava a mulher embora ou ele deixava a casa onde moravam. O plano bê seria ele se associar ao grupo ou fazer de conta que não vê o que acontece a frente do seus nariz, mas isso é uma outra história.

terça-feira, 2 de junho de 2015

TODOS SÃO IGUAIS.

           Gilda achava que tinha encontrado a metade de sua laranja quando conheceu um cara que não veio para pedir a não ser que passasse com ele alguns momentos. Talvez até quisesse, mas decidiu deixar que o tempo tomasse o seu partido desde que pedisse a ela para se casar com ele que em troca lhe daria paz, segurança e uma casa com flores e filhos e se isso não bastasse, entregaria em suas mãos a sua própria vida. Logo ela que jamais acreditou na fidelidade de um homem, no respeito dele pela família, no seu companheirismo e cordialidade depois do casamento. Talvez fosse para ela um choque acreditar que estava enganada, que nem todos os homens eram iguais e que de olhos fechados poderia aceitá-lo em casamento. 
-A festa foi linda, digna de princesa. Nem mesmo acreditava que alguém pudesse ser tão feliz como Gilda, com seu sorriso, mostrava que era.  A cada passo vinha alguém para abraçá-la como se o casamento não tivesse acontecido a tanto tempo e nem ela acreditava que o tempo passava e o homem continuava sendo o mesmo cavalheiro do primeiro dia.  Já seu sócio era completamente diferente das pessoas que ela conhecia, pelo menos era isso que pensava seu seu marido. Meu sócio gosta de contar vantagem, mas o respeito que eu sei que tem pelos outros, o seu tino para os bons negócios e a amizade que temos há tanto tempo é que nos mantém como dois irmãos. O marido não mentira. Carlos dava a impressão de ser grosseiro, talvez fosse essa a forma que encontrou para se manter distante das mulheres proibidas, mas isso, pelo contrário, as atraía ainda mais. Jovem, bonito e muito bem encaminhado nos negócios, era, sem sombra de dúvidas um banquete para muitos talheres. Nenhuma mulher que se conhece seria maluca suficiente para discordar.  Ao conversar com um homem, estando ou não com seu marido, Gilda lembrava do rapaz. Tudo nele era igual aos homens dos quais se afastava e por isso jamais namorou até que conheceu um santo com quem está casada.  Carlos, no entanto, era machão, contador de vantagem, um verdadeiro cafajeste. Dizia que fazia isso e aquilo com as mulheres que passavam em sua vida e não escolhia com quem falava essas barbaridades. De tanto pensar nele, a moça que desejava morrer solteira a ter que se entregar a um tipo como aquele, estava de quatro e não sabia. Ou será que ela sabia?
     Sempre que os dois se encontravam ele fugia das flechas que os olhos dela disparavam sem saber que tais flechas entregavam aos seus desejos a dona do arco que as arremessava. A todos os desejos, queria ela, mesmo que disso segredo ele não guardasse.