terça-feira, 28 de abril de 2015

DEQUE DO LEBRON.



Meu Deus quanta beleza e como ficam lindas as ondas quebrando 
na praia, vistas daqui. Ah, se eu já não fosse escravo do cansaço gritava para os cegos que só tem olhos para certas coisas e que indiferentes ao que a natureza tem de mais bonito, seguem na escuridão do artificial. Juro que não tinha visto em nenhum lugar por onde andei um céu azul, tão azul e uma areia branca, tão branca de doer os olhos, desse jeito. Também noto que a cor do mar varia entre as matizes do um verde que entorpece,  encanta, confunde, mas também inspira desejos, sonhos e poesias. Cara, como a natureza no Rio se mostra bonita depois da chuva. Até o arco íris é duplo, como se fosse necessário dobrar os quadros de Michelangelo, Salvador Dalí, Caravaggio e tantos outros.     Ah, minha Rio de Janeiro tão amada e querida, como a tua beleza se destaca das outras bonitas cidades. Eu não teria coragem de deixar-te nem que o sucesso e o futuro estivessem a minha espera em outro lugar.  Conte comigo, cidade amada, pois sempre que quiseres, por gratidão, me verás pisando o branco de tuas praias e sob os raios dourados do teu sol confirmarei o colorido da pele que tu propuseste para mim.
Por tua  hospitalidade, por teu carinho e por teu encanto eu morrerei gritando o amor que por ti eu tenho.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

ESSA VELHA PSICOLOGIA...


      Tem gente que basta ouvir alguém durante alguns minutos para saber com quem está lidando. Eu, recentemente, fiz um texto que falava do homem e da mulher e na oportunidade devo ter deixado que soubessem mais de mim do que o necessário, inclusive dos que dividem comigo a vida.  Naquela oportunidade eu falei sobre coisas simples e sobre as que movimentam o mundo, as que parecem de pouca relevância, mas que, a meu entender, ditam a velocidade do vento. Uma dessas pessoas, que eu me reservo o direito de omitir o nome, falou-me da tristeza que eu maquio nos textos que posto nos blogs, coincidentemente frequentados por ela.  Essa pessoa, sem nenhuma pretensão, reabriu na minha alma uma ferida que há muito eu pensava ter cicatrizado.  Suas palavras eram doces, do jeito que falam os mediadores de um sequestro para imobilizar o criminoso. Foi, portanto, doce e gentil, mas aquelas palavras também  romperam, sem que fosse sua intenção,  o lacre que prende o ar na  bola de assoprar, e eu vomitei o que ainda restava em mim. Vazei as águas que me afogavam destruindo bairros e cidades no meu inconsciente. Chorei sobre as letras, não sobre algumas, mas sobre todas. Chorei o suficiente para confundir as concordâncias e de lugar trocar os acentos, os pontos e as vírgulas, assim como transfigurei a minha própria cara com o inchaço dos meus olhos.
  Talvez eu devesse fazer terapia para buscar a razão do alarde que faz minha’alma diante dos que têm o privilégio de ler nos gestos e nas palavras a euforia extremada ou a alegria exacerbada que é digna de quem não tem uma trilha para caminhar. É provável que a terapia acalme o ímpeto das grandes ondas que tentam levar aos rochedos o barco do meu raciocínio ou ao fundo do mar como se lá fosse o seu derradeiro porto.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

TRAMITANDO NO CONGRESSO.

          
      Eu conheci uma mulher que resolveu terceirizar algumas obrigações dentro de casa e para o meu maior espanto quis e conseguiu me contratar para um serviço que eu achava ser bastante perigoso. Isso, de certa forma, deu ao marido a liberdade com que há muito o cara vinha sonhando, como sair mais cedo para o trabalho sem precisar justificar o porquê daquilo e até chegar às altas madrugadas deixou de carecer de justificativas para evitar as brigas e a cara feia da mulher no outro dia. Depois que se atreveu terceirizar as obrigações do marido em casa foi que percebeu a beleza da cor de cada flor, as estrelas piscando para namorar a lua e o aconchego da cama mais íntimo e acolhedor. As viagens com que sempre sonhou finalmente deixaram os sonhos para se tornarem realidade. Paris, Milão, Tóquio e outras cidades por esse mundão de Deus afora a gente pode conhecer, sem contar com a comida de cada 
capital que a gente, jamais, esquecerá.
 Somente algumas poucas vezes essa mulher deixou a capital aonde mora, e não foi por falta de dinheiro que não deixava, mas por falta de um marido amigo e companheiro ao lado dela.  Dinheiro para todas e quaisquer viagens eles tinham, a contar com a bela casa onde vivem, com os carros novos na garagem e os títulos de clubes 
que não frequentam. 
        Agora tudo está melhor e diferente. Depois de a terceirização ser promulgada no congresso certas coisas, acredito que as mais importantes, se resolveram. O marido chega e sai a hora que bem entende e às vezes nem voltar do trabalho para casa ele se lembra, enquanto a mulher com quem se casou garante que ninguém tem ou terá um marido tão amigo e compreensivo, trabalhador e tão bonito, quanto ela. Enquanto isso vou conhecendo novos horizontes e um pouco mais da cabeça maluca dessa espécie a que pertenço e tudo sem precisar gastar um tostão, já que eu e ela 
temos quem banque toda essa estripulia. 
(Foto da Internet)

segunda-feira, 13 de abril de 2015

BRASILEIRA, RUSSA OU UCRANIANA?

   
   Era um amor sem sexo, sem toques e sem sonhos, mas se amavam como se amam um casal de namorados. Ao concluírem o fundamental Andrezza e Ana Clara se empenharam nos estudos com vista ao vestibular de medicina. Os pais de Ana Clara não tinham os recursos dos de Andrezza que era filha de um embaixador russo no Brasil. Naquele famigerado dois de outubro Andrezza era só felicidade. Tinha a mocinha o viço das flores na primavera, a beleza do primeiro voo depois do ninho e na apele o frescor da água das flores. Ana Clara sentia que algo de errado estava para acontecer, talvez por saber que Andrezza poderia receber o primeiro pedaço de bolo do aniversariante, filho dos amigos do embaixador, que além de bonitão era muito disputado entre as  garotas. Só que Andrezza não contava que o prazo da sua felicidade vencia naquela noite. No meio da festa o motorista de sua família apareceu para buscá-la. - Seus pais tentaram falar com a senhora, mas o celular estava dando fora de área - disse-lhe o chofer. Questionado o por quê de não tê-la esperado chegar à casa para dar esta  notícia, ouviu do seu pai que, por ordem do governo russo, deveria voltar ao seu país naquela noite - concluiu exibindo os bilhetes de embarque. O voo sairia à meia-noite. Tinham, portanto, menos de três horas para arrumar suas coisas e se despedir de seus amigos.  
    28 anos mais tarde, Frederico, filho mais velho de Ana Clara, com um oficial de marinha, dava entrada no  hospital de Járkov, uma cidade no nordeste da Ucrânia, com várias fraturas pelo corpo. Fred acidentou-se com a moto em uma curva indo de encontro a uma árvore - disse o tio, irmão do marinheiro, que o tinha em casa naquelas férias. Para sua felicidade e a de sua família no Brasil, a Dra. Andrezza, prêmio nobel de medicina daquele ano, se encontrava no hospital para uma palestra e por uma obra de Deus, quis conhecer o jovem de cuja terra ótimas lembranças ela tinha. Sob a manga do jaleco, no pulso esquerdo da doutora via-se uma flâmula brasileira tatuada. Quando você ficar bom e voltar à sua terra - disse com os olhos marejados - diga a sua mãe que a Dra. Andrezza sente muitas saudades da gente, e que você se parece tanto com ela que tenho vontade de beijá-lo - disse com um beijo na testa do rapaz.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

BRINCADEIRA DE CRIANÇA.

           
Ela deu uma lambida com tamanha sensualidade no sorvete, bem ali, num banco em frente ao meu,  que até o mais preguiçoso músculo do meu corpo enrijeceu. Talvez eu fosse um dos que babavam na camisa, enquanto ela, sorrindo com a inocência das crianças, nos enfeitiçava com uma língua que, tal qual uma serpente, se contorcia dentro da casquinha em busca de sua presa. As mulheres cochichavam umas com as outras enquanto os homens mantinham presos dentro dos bolsos os seus próprios devaneios.
         Quando a jovem se pôs de pé, talvez não tivesse se dado conta, que um pingo branco, sabor coco ou nozes com passas ao rum, escorresse por uma de suas coxas a um palmo acima do joelho ou a quatro dedos do jardim do Éden. Ele se arrastava preguiçosamente por entre os fios dourados pelo sol enquanto os bobalhões, como eu, lambiam os beiços pensando ser o doce que escorria na coxa dela.
        Foi uma sessão picante de cinema. Um conto censurado de fadas. Um momento 
de pura fantasia. Mulheres olhavam para a perna da moça e para os morteiros olhos dos maridos. 
                Talvez aquele pingo naquela coxa não quisesse ser lambido pelos olhos, como o lambíamos e a dona das pernas assim nos deixava imaginar, por isso tentasse o pingo se esconder na confluência do joelho como se escondeu. 
Depois a moça foi embora enquanto, aos poucos, os lugares nos bancos iam sendo ocupados por outras pessoas numa praça aonde as crianças, que até então não eram percebidas, corriam, umas atrás das outras gritando; tá contigo! Agora é você quem deve me pegar!

terça-feira, 7 de abril de 2015

UI!!!

Sem sucesso eu te procurei na  minha casa, no meu quarto e por fim, nas minhas 
vivas  lembranças. Fazia tanto tempo que você chutou a minha bunda que até  a marca do teu sapato nela cicatrizou. Agora, tantos anos depois,  eu finalmente encontro forças para estufar  o  peito, erguer  o queixo e seguir em direção que indicar o meu nariz. Entretanto, se eu parar de caminhar, por qualquer motivo ou razão, por favor, não se aflija porque não será por doença ou cansaço, mas por me dar conta de que naquele tempo, quando eu achava que tudo era nada 
e nada valia coisa nenhuma é que eu de verdade era feliz. Era muito feliz, só que, por motivos que não saberia explicar, também não conhecia a exuberância 
dessa tal felicidade.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

SÓ PERFILADO SE ESCUTA O HINO.

Você disse que a pinta azul no dorso de sua mão é o charme que não gostaria de perder, 
mas eu, que tenho mais tempo de dermatologia do que você tem de idade, o aconselharia fazer uma  biópsia dessa mancha para não ter com que se lamentar no futuro. Aparentemente não é nada, mas já que você veio até aqui, não custa nada te dar esse toque. Nesse caso eu precisarei fazer biópsia numa outra igual a essa, mas ela está em um lugar difícil para te mostrar. Disse-lhe eu envergonhado. Baixe as calças e mostre-me, falou-me ela sem também tirar dos meus o negro do seu olhar. Abri as calça e com muito sacrifício e um certo constrangimento, botei pra fora aquilo de que tanto me orgulhava, e por falar no dito cujo, muitas garotas curiosas eu consegui por causa dele e se mais de uma pinta eu tivesse ali talvez elas pensassem que eu tinha piru de dálmata. Aliás, não era uma pinta, mas como a doutora disse; uma mancha tal o seu  tamanho.  Até textos eletrizantes eu já fiz por achar que era dono do mais lindo órgão de reprodução e de prazer. Como eu ia dizendo, baixei as calças e deixei que ela tocasse a peça que nem assim despertou do sono que dormia. Ela virava e revirava a linguiça branca e fina para tudo o que era lado, mas nada dizia, talvez porque eu não estivesse nem aí para o exame detalhado que ela, ajoelhada, fazia nele. Não sei se era por vergonha, pelo frio do ar-condicionado ou da Dra. achar nele algo que pudesse custar a minha vida que o bicho ficou frouxo e envergonhado, como eu.
No hospital aonde fiz a biópsia a gente ficou mais à vontade. Eu deitado naquela maca gelada enquanto ele, deitado no calor da minha coxa, se mostrava com mais dignidade. O azul da pinta deu motivo às jovens, residentes, para comentar o fato.  Enquanto uma o puxava para cima a outra o puxava para o lado. Todas pareciam cegas já que liam com as mãos enquanto eu ficava ali, sob aquele enorme holofote me ofuscando as vistas. 
         Até hoje eu carrego uma cicatriz. Eu não, ele, que felizmente não se ofendeu quando o comparei a uma linguiça desmilinguida, caso contrário não demonstraria patriotismo nas noites em que minha mulher canta o hino nacional pra ele.