sábado, 12 de dezembro de 2015

O MAR ATRAVÉS DA JANELA.

     
      Os trovões eram ensurdecedores, parecia um terremoto, enquanto os clarões iluminavam o mar na sua imensidão. Marcinha, que escolheu passar o resto das férias na casa da tia, tremia de medo no quarto onde dormia. A casa era uma construção moderna a beira de um rochedo de onde se ouvia o mar chorando as ondas se estatelarem nas pedras. Marcinha embrulhada no cobertor soluçava de pé na porta do quarto da tia que vendo o sofrimento da garota a levou a dormir consigo. A tia buscava de todas as formas tranquilizar a sobrinha que aos poucos, talvez por ter os braços da tia a protegê-la, ia se acalmando.  Só a mulher balbuciava algumas palavras enquanto o corpo da adolescente incendiava o seu.  A chuva e suas intempéries haviam passado, mas da cama nenhuma demonstrou interesse em descer. Meu Deus, ela é uma menina.  Tudo nela tem as proporções de uma mulher, porém seu jeito, a carinha doce e bonita não pertencem ao corpo que eu sinto colado, quase de baixo do meu, pensava a tia acariciando os seios da garota como que sem maldade, ao passo que os dela ardiam de febre e desejo.  
Eu vou parar com isso. Preciso parar antes que o inevitável aconteça.  Vou me levantar, tomar um banho e depois vou à janela para ver com que cara o mar ficou depois da tempestade, resmungava a mulher que tinha entre seus seios o rosto da sobrinha.  Resmungou mas não arredou um dedo  do corpo da jovem que parecia entender do que estava acontecendo e aonde aquilo poderia levá-las, principalmente depois que sentiu o dedo da tia partir de sua nuca em direção ao final da espinha, driblar os compridos fios de cabelo que protegem a gruta, agora bastante molhada, e ali brincar com o pequeno botãozinho que encontrou.  Dessa vez sim, a senhora que pretendia parar com o erro que sabia estar cometendo deu um basta nos carinhos que dava a ela,  só não esperava que um par de belas e macias coxas prendessem a sua mão no meio delas, como fez a menina.  
      Aquele foi o melhor e mais reparador temporal que, ao invés de devastar a vida dela e a de sua sobrinha, lhes semeou a lavoura de onde, agora, tira, os carinhos com os quais sempre sonhou, porém não se sentia mulher o bastante para se arriscar.