terça-feira, 1 de dezembro de 2015

NEM VI PASSAR O TEMPO...

Depois de chamar os amigos para dividir com eles as minhas cervejas, meus vinhos, 
meu bacalhau e, por que não, o meu chester e o meu peru, foi que me dei conta de que, nos anos anteriores não era preciso convidar ninguém para compartilhar minha alegria e o amor que eu tenho por cada um.  Deve ser bobagem me preocupar com essas coisas, diriam os mais chegados, uma vez que, no final, tudo termina como começou, ou seja; eu reunindo os meus cacos e indo para um canto da casa que, por menor que nos pareça aos olhos, é grande o suficiente para turvar a vista.  Talvez por essa magnitude eu me sinta tão só depois dos comes e bebes, das doces palavras e das lágrimas que um enxuga do outro se alguém chorar.  
Na minha mesa, este ano, não saberia dizer se todos os lugares da mesa estarão tomados.  Nos anteriores os amigos chegavam sem que eu precisasse convidá-los, mas agora, se não for com ameça de morte, me deixam invejoso na janela olhando o povo se acotovelar por uma rabanada, ao passo que na minha mesa, por mais comida e bebida que eu tenha conseguido, o espaço vazio parece não ter fim.  A casa cresce a cada momento que alguém do outro lado se abraça, se beija, ri ou chora com palavras que eu, daqui, não escuto. 
Esse ano eu não ganhei, mas também não perdi alguma coisa que no futuro pudesse me fazer falta, por mais que pensem que sobre isso eu vá discorrer o meu discurso.  Não, meus caros, eu não vou me queixar de perda nenhuma, mesmo se eu a tivesse.  Eu, pelo que sei,  nasci pelado e sem amigos, já que as pessoas que se encontravam bebendo e fumando charutos na festa do meu nascimento eram amigas dos meus pais e não minhas. Portanto, como reclamar se agora eu também tenho, não os que eu escolhi, mas os que me conquistaram?
O natural seria o sujeito nascer, crescer e ao se tornar sábio, comprar uma casa, arranjar uma garota e se casar com ela, formar uma família e ser feliz. Comigo não foi desse jeito porque nasci, cresci, desenvolvi o intelecto de certa maneira que me casei com quem já tinha casa montada e dispensa cheia das coisas que eu gosto. O que eu espero mais da vida? Reclamar do quê, vocês acham que eu deveria?  De nada, não é mesmo?
Feliz natal gente. Ria, cante, abrace seus amigos e seja feliz porque você nasceu nua como eu, e hoje pode ir e vir, dentro do possível, vestida para onde e com quem quiser.