terça-feira, 8 de dezembro de 2015

BELOS TEMPOS...

      

No interior do estado festejavam o dia de ação de graças e não havia
 em nenhum calendário, da era medieval aos tempos atuais, dia mais propício para o encontro daqueles dois.  Talvez por ansiar pelo que pudesse acontecer ela tivesse chegado um pouco mais cedo ao encontro e em meio aos que vagavam no labirinto das barraquinhas alguém buscara por quem só conhecia através das fotos, nas redes sociais.  Não tardou para que se encontrassem e ela, perdendo a compostura, correu para se atirar na cintura de quem, girando com ela presa em seu corpo lhe tascou um beijo que aos visitantes causou uma certa excitação.   Ela parecia ter perdido o prumo, saído do eixo, enquanto o sujeito curtia a festa como se fosse a do próprio aniversário.  Era ele um sujeito de sorte e estava feliz com os últimos acontecimentos, principalmente com o momento em que viu como real a moça dos seus sonhos.   Um beijo ligeiro, talvez desnecessário o sujeito roubou dos seus lábios dando a ela a certeza da pegada. Depois se deram as mãos e saíram em busca de um lugar onde pudessem conversar.   Durante a caminhada ela o examinava nos mínimos detalhes.  Principalmente nos maiores, se é que eu me faço entender.

O cara pensou em discutira a diferença de idade existente entre eles, mas achou melhor ficar calado. Os tempos já não eram os mesmos e a sociedade tinha mais com que se preocupara. O que importa, de verdade, é o bom relacionamento entre as pessoas, pensava cada vez que se lembrava do assunto. Dali seguiram à casa dela onde os seus parentes os aguardavam. Ninguém reparou na idade dele, mas para que não cometessem nenhum desatino a garota fez questão de dizer que o encontro era amigável e que não esperassem nada de sério entre eles.  Tanto sabia do que estava falando que em tempo nenhum foi interrompida ou contrariada no que dizia. Depois daquele surgiram outros encontros  e por entenderem que um era a metade da laranja do outro resolveram juntar as suas tralhas.  A cama era o ponto de encontro entre os dois.  Sempre que estavam em casa, os dois se jogavam nos braços um do outro em busca do prazer que a química provocava. 
Uma cirurgia, no decorrer do período, se fez necessária e durante a convalescença, fazer amor estava fora de cogitação, como a ele disse o médico, mas quem estava aí para o que ele disse?  Durante as noites a temperatura subia e no calor da irresponsabilidade, mesmo depauperado, o camarada se entregava num sexo louco, quase bonito. 
      Hoje, gozando da melhor saúde e de todas as facilidades, a frequência já não é a mesma. Amadureceram,  melhoraram em praticamente tudo o que fazem.  Afinaram suas ideias, investiram no que pensam ser necessário e viajam aos lugares mais distantes e mais bonitos. Vivem, os dois, como num conto de fadas trocando abraços e beijos sempre que possível num respeito de causar inveja, mas, nada mais, além disso.  Eu acredito que já não fazem amor com a mesma pegada que faziam antes, embora o sentimento da parte dele continue num crescente quase avassalador, enquanto ela, por sua vez, já não sente tanta graça naquilo que faz. Em vários momentos o cara pensou  que o amor que ela demonstrava sentir por ele tivesse acabado, ou que ela se arrependeu de tê-lo conquistado.  Choroso pelos cantos acredita que não viveria sem o atrevimento dos carinhos que por sinal escasseiam a cada dia, assim como há muito não se vê provocado por um olhar malicioso, um cruzar de pernas pretensioso que os levava à cama quase sempre. 
          Enfim, vamos deixar que o tempo os ilumine, porque só ele tem o poder da modificação.   Se tiver de mudar para melhorar, que mude, caso contrário, que mudem os dois por conta própria ou se acovardem sem reclamar...