quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O ÚLTIMO SOLUÇO.

     
      Fechado no quarto escuro da solidão eu nem me dei conta da algazarra das crianças no quintal da minha casa, dos passarinhos em revoada em torno da amoreira e do sol escancarando aquele sorrisão aos súditos de pele bronzeada.  Tem coisa que a gente faz sem pensar nas consequências, já que a gente vive a vida que a gente quer e quando não se quer nada, nada se faz ou deixa alguém fazer para mudar.  O sujeito que deseja um braço forte precisa trabalhá-lo para tê-lo próximo do ideal. Se deseja uma saúde invejável precisa se resguardar das intempéries e tratar o corpo como quem trata uma criança.  Mas se queres mantê-lo do jeito que o vens mantendo, então não faças nada, senta-te a bunda na beirada do caminho em que estás andando e esperes a banda do Chico passar porque com ela os teus sonhos certamente passarão. Foi com este pensamento que eu escancarei as janelas da minha tristeza e abri as portas à nova vida. A vida do riso e da boa companhia, da alegria e do bom papo.  E fiz tudo isso sem culpa e sem remorso, sem pena, medo ou receio.  Hoje o meu time voltou a perder como vem perdendo ao longos dos últimos cinco jogos, mas tu queres saber de uma coisa; que se dane, porque a vaidade da vitória não vai me levar a lugar nenhum, como a derrota, que além da incarnação que sofrerei dos torcedores adversários cujos times também não estão lá essas coisas, nada acontecerá contra ou a meu favor. Portanto, fod#a-se o mundo porque não me chamo Raimundo.  Agora me dão licença porque vou passar um espanador na minha cara, escovar os macacos que andam soltos por aí e se a vizinha me permitir eu vou lavar o seu cachorro. Tudo isso sem uma gota de remorso, um pingo de choro ou um toco de vela.
    Bola pra frente que a manhã tem jogo de bola na televisão e a buludinha não dorme sem a minha companhia.
Beijos.