sábado, 21 de novembro de 2015

MISTURANDO AS COISAS...

           
      Pare e limpe as lentes para que possas enxergar a natureza com o mesmo olhar dos  linces das montanhas. Sorria,  ofereça um abraço, demonstre estar em paz com a vida e com o que existe nela.  Faça perguntas, puxe assunto, e se não tiveres a quem dirigir a palavra fale com o primeiro animal que cruzar o teu caminho, porque, se ele não te entender, ninguém, jamais, te entenderá.  Fale com as plantas ou fale sozinho a respeito daquilo que veem os teus olhos.  Dê bom-dia ao dia antes que escureça para depois te empertigar na passagem das estrelas.  Tente lembrar o nome de alguém que um dia  te pediu ajuda, mas por falta de tempo ou por infantilidade, tu não o atendeste. Tenta te lembrar do dia em que, muitas vezes  tu choraste e das poucas vezes que sorriste. Faças um exame de consciência e vês se te lembras de um momento, no passado distante, quando alguém, mesmo sem se dar conta do que fazia te tirou do marasmo, do ócio, quem sabe, do vício.  E sem esperar por qualquer tipo de agradecimento, te ofereceu um trabalho, um abrigo, e depois de ter te dado a mão,  ofereceu para ti um abraço, um sorriso e o nome do qual tu tanto te orgulhas.  Portanto, meu caro, ria das piadas que te contarem, ria mais da vida se tiveres motivo ou gargalhe, mesmo que não os tenhas. Não te escondas nunca, nem mesmo quando tiveres medo. Enfrenta os teus fantasmas e chores se não der para segurar, já que o choro tem nas lágrimas o poder da cura.  Eu sei que o pranto que te incha os olhos, umedece a tua face, é o mesmo que cria em quem te pegar chorando a dúvida; se choras de tristeza ou de alegria. Viva a vida intensamente da maneira que tu quiseres, souberes ou puderes.  Dance a língua em torno da taça. Lambas os próprios lábios adormecidos pelo sabor gelado do creme de fruta madura, e antes que a língua perca a sensibilidade junto a essa guloseima, lamba as escorridas gotas para  não perdê-las ao vento.  E, na dúvida, se quiseres saber do que eu trato, lambas de vagar a vida, pelo meio, pelas bordas, por cima e por baixo, mas se, nem com isso te deres conta do que eu trato, vires a cabeça de lado e te delicies com as larvas escorridas no raso cone acasquinhado do melhor sabor com o qual te delicias, pois dele terás o melhor bocado.  Sintas, pois, o frescor das manhãs com os cabelos expostos à língua do vento, vivas  sem pressa, lambas as sobras adocicadas das madrugadas, já que o tempo com sua voracidade provoca tontura com o giro que dá ao mundo. Tires folga por um dia ou por duas, três vezes por semana. Pegue os velhos e as crianças e vai passear, vá à praia, corras na areia ou subas à serra para orvalhar tua alma por cima.  Só não te deixes ficar aonde o individualismo for lei, a indiferença for a ordem do dia e o preconceito fizer em ti sua morada.