terça-feira, 6 de outubro de 2015

DORMIR PARA QUÊ?

      Eram da suite ao lado os gemidos que me tiravam o sono, e entre sussurros e risos nervosos eu tentava dormir  sem conseguir.  Tá certo que eu cheguei um dia antes do acordado com um casal que alugava quartos para turistas.  Ele, um jovem americano da Califórnia e ela, uma linda holandesa que, depois de conhecer o cara com quem se casou veio morar no Brasil.  Já era alta madrugada quando o barulho dos beijos se sobrepuseram aos dos copos e garrafas no quarto ao lado. Eu, que fazia tempo tinha perdido o sono, tentava adivinhar o que os levava a produzir tanta bagunça. O casal ocupava a maior suíte e as outras foram alugadas, uma para mim e a outra seria ocupada por uns portugueses  na outra semana. 
   O barulho que a porta da geladeira fazia ao ser fechada me dava a certeza de ter gente no outro lado, na cozinha. Um cheiro conhecido tomou o corredor e adentrou minhas narinas. Era um cheiro conhecido que eu, particularmente gostava muito, embora nunca o tivesse apertado e acendido entre os meus dedos. Apaguei a luz e fui ao quarto deles e como a porta não estava trancada pude vê-los dançando sem uma gota de roupa no corpo, cada um no seu tempo, ao som de um batidão. Ela tinha em uma das mãos um copo de uísque praticamente vazio enquanto ele, tragando fundo a fumaça, oferecia à parceira o que acabara de acender.  Ela tentou aspirar o resto do cigarro de uma só vez e o fez com tamanha envergadura que a brasa acendeu de vermelho a sala inteira. Como se aguardasse pelas consequências do seu gesto, apoiou-se de costas no balcão da pia da cozinha e sem tirar os pés do chão se permitiu deitar sobre ele. Esse gesto criava na moça a imagem do arco retesado pronto a disparar a flecha. Ele afastou com um braço tudo o que havia na bancada ao lado dela, abriu-lhe as pernas e entre elas se enfiou. Beijou-lhe embaixo do queixo, desceu esse beijo através dos seios onde mordiscou cada bico dos seus mamilos. Lambeu-lhe os seios como se fora um louco para depois escoar a língua através do seu ventre e de suas coxas curtindo com ela tudo o que faziam.Tive ímpetos de surgir de entre aquela fumaceira como se eu fosse o gênio da garrafa. Das garrafas que vazias iam se amontoando.  Enfim nada de errado eu vi além de um casal que, por se achar sozinho bebia e transava da maneira que faziam, por isso achei melhor voltar aos meus aposentos e fechar a porta dos caras que eu tinha deixado aberta.  Só que a droga da porta fez um baita barrulhão. Peter, segurando no gargalo da garrafa para usá-la como como arama, perguntou quem estava ali. E eu, com jeito de quem chegava de viagem, me apresentei fingindo não notar que ambos estavam nus, mesmo sabendo que disso nem eles mesmos se lembravam. A mulher que me olhava de cima a baixo disse, com voz embaraçada, que o chuveiro do meu quarto tinha pifado e que eu podia usar o deles, e como seu marido não deu pinta de querer contrariá-la eu acabei por aceitar o convite. Tomei com eles um gole, depois outro e mais outro. Quando a gente achou que não dava mais decidimos ir dormir e só acordamos no dia seguinte com o sol lambendo a cara de cada um que dormia naquela cama.