quinta-feira, 17 de setembro de 2015

QUE FRIO, QUE NADA.

 

        Tem feito um frio danado aqui no alto da serra. Tem momento que eu, que venho de uma cidade onde a temperatura bate os 40 graus sem o menor sacrifício, me agasalho, fecho a casa, massageio os dedos e só depois de um café bem quente me disponho a digitar meus textos, e faço isso aqui mesmo, na minha casa, porque lá fora o vento corta como navalha. No Jornal Nacional a garota do tempo vem afirmando que a coisa vai melhorar, mas como a gente mora longe dos grandes centros e o clima por aqui tem feito tudo para contrariar os estudiosos, não vejo como arqueiro algum possa matar a mosca com essa flecha.  Se a Maju, como carinhosamente é conhecida, nos diz que vai chover e fazer frio, o tempo, só para deixar a garota com cara de chuchu, nos põe uma pizzas embaixo dos braços e o corpo nos molha de suor.  Mas se ela diz que vai dar praia eu corro em busca da capa e do guarda-chuva porque, com certeza, não será isso o que vai acontecer. Hoje, por exemplo, eu achei que o sol viesse dar as caras para secar as roupas estendidas no varal, mas que nada.  Apesar do dia claro e bonito o rei não demonstra força para secar coisa nenhuma. Enquanto isso eu me mantenho gordo, gordão, gorducho, vestido com tanta roupa como tenho ficado, e se isso não bastasse, a gente ainda precisa de um GPS agregado a cintura para encontrar aquilo com o quê se faz xixi, quando tem vontade. Eu tenho um amigo, que não tem saído dos meus textos, que sofre quando vem me ver. Na hora de esvaziar a bexiga o pobre coitado precisa chamar a mulher que não reclama de procurar o que fugiu de suas vistas enquanto ela, com toda a calma do mundo o traz à luz com suas unhas poderosas.  Eu não tenho coragem de dizer a ele para amarrar um barbantinho no dito cujo, pois só assim não precisaria se envergonhar, se é que ele se envergonha com essas coisas, de ter que chamar a patroa para uma missão desse quilate. 
     Enfim, o frio é de lascar, mesmo. Todas as noites a moça, não a do tempo, mas aquela que vê tudo pintado de verde, tem feito um chocolate quente que só vendo. Ele tem a temperatura das lareiras na distância correta; nem muito longe e muito menos tão perto, e a cremosidade das grandes padarias teresopolitanas de onde, com seu encanto pessoal, a bela mulher de olhos de esmeralda conseguiu a receita até então, guardada sob o segredo de todas as chaves.