domingo, 13 de setembro de 2015

E OLHA QUE NÃO ERA SONHO, HEIN!

Meu celular tocava incessantemente na manhã da última terça-feira, mas como o número que 
chamava era restrito eu não tive pressa em atender. Era uma voz bonita de mulher que até me lembrava uma pessoa que viveu comigo. Sem me dar chance de dizer que eu não era o Jair, por quem ela procurava, desandou pedir desculpas por não ter permitido que eu fizesse com ela o que há muito vinha tentando, e como achava que tal fato me afastaria do seu convívio, decidiu ligar, pedir desculpas e se retratar num outro  encontro. Bastante excitado afastei a vergonha de lado e como cafajeste que eu pensava ter deixado de ser, perguntei se dessa vez não ia dar para trás, como já tinha feito. --Não, claro que não. Eu até falei com umas amigas que me garantiram que o prazer não é só de quem propõe, mas também da mulher, desde que o parceiro seja carinhoso e gentil como eu sei que você é, concluiu a pessoa de cuja voz mexia tanto comigo.  E para incrementar a relação eu perguntei o que ela faria e de que maneira procederia para realizar o sonho que eu tinha e ainda por cima tirar proveito da situação. Ansioso pela resposta eu devo ter gaguejado quando fiz a pergunta, mas ela, demonstrando ter ficado feliz em saber que um novo encontro aconteceria entre a gente, respondeu que comprara um gel à conselho de uma garota especialista no assunto e até estava com ele na bolsa naquele instante. E como eu não achasse que as respostas tinham a grandeza do meu atrevimento,  disparei novos e mais certeiros dardos, desta vez com as pontas envenenadas.  Eu precisava saber mais dessa mulher, por isso voltei à carga; e como você vai fazer na hora em que tudo estiver besuntado de gel, como você fará para realizar o meu sonho?, e ela me respondeu sem pestanejar; -- Vou mandar sua mãe sentar em cima, seu cachorro depravado. Quem está falando aqui e  a sua ex-mulher, seu safado sem vergonha! 
Desliguei na cara dela e corri para trocar meu número.