quarta-feira, 9 de setembro de 2015

É FOGO, GENTE. É FOGO.

       Da ampla janela envidraçada da minha sala ou da varanda que debruça do meu quarto, eu vejo, com lágrimas embaçando os meus olhos, o fogo assassino lamber uma boa parte da mata atlântica que teima colorir de verde a nossa, antes, tão bela cidade. Na noite anterior eu e alguns bons amigos bebemos aquilo que às 3h me fez levantar, não para apagar o incêndio e quem me dera pudesse fazê-lo, mas para hidratar meu corpo ressecado pelos destilados que bebemos.   Gravei algumas imagens, como eu tenho certeza, muitos também fizeram, para denunciar a covardia da queimada e o descaso do nosso órgão (in)competente que até certo momento nada havia feito para apagar às chamas que aos poucos destruíam o que havia em seu caminho. A fumaça, ardendo em nossos olhos, pouco nos permitia ver da área destruída naquele dia e por lá, pelo menos que eu soubesse, ninguém deu as caras para dimensionar o tamanho da desgraça ou ver se o fogo ainda ardia. Não fosse um pouco de chuva que mais parecia lágrima chorada por quem sofre com a perda e nada mais de verde nos restaria. 
       No futebol a gente já não tem o que nos faça rir, como na política nada nos enche os olhos ou se tem notícia de que o dinheiro desviado através de falcatruas e impostos mal cobrados, serão revertidos à saúde, à educação, ao emprego e à segurança do trabalhador. 
     Enquanto isso o Mengão vai comendo o mingau pelas beiradas enquanto o Vasco, infelizmente,  amarga uma nova derrota. O Fluminense também já não diz ao que veio. Tem hora que parece que vai deslanchar no campeonato, mas tem vez que nem para empatar com pequenos o bicho presta.
       Assim tem sido o dia do carioca de todas as cidades do nosso estado; fogo na mata e água na competição. Se falta dinheiro para os políticos a questão é resolvida com novos impostos que a eles levam a paz que precisam para continuar na boa vida que o mandato lhes proporciona, enquanto a gente não consegue nem um lugar para sentar na fila do SUS aonde se busca por uma senha que nos dará o direito ou não de consultar o médico que dorme no plantão.
      A cidade está coberta pelo manto enfumaçado da queimada e o futebol carioca nos humilhando. Isso sem falar no comércio estagnado a espera de um incauto futuro inadimplente, e eu aqui sentado, cuspindo o gosto de cabo de guarda-chuva que o diabo do álcool me pôs na boca.