quarta-feira, 19 de agosto de 2015

VIDA ETERNA VIDA...

            
           O que deve uma pessoa pensar em fazer na vida se já não conta com as forças que ditavam ritmo aos seus pés, equilibravam seus pensamentos e moviam para os pontos cardeais desse universo um corpo que antes gerava inveja e cobiça, mas hoje, impossibilitado de deixar a cama a caminho do portão aonde a brisa fresca, certamente, lhe lamberia a face,  nos dá a certeza de querer soltar a ponta da corda, esse último elo que o prende a vida? Parece que a luta que o homem e a mulher travam para se manter na lista dos vivos não é uma briga de rua, um combate entre quartéis ou uma guerra declarada, claro que não, porque é pior. É muito pior, porque dela ninguém volta são, ferido ou mutilado, porém morto, até pode voltar. Há dias se falou nos 70 anos da bomba atômica no Japão de cujo efeito poucos ficaram para contar a história e os que resistiram tiveram apagado de suas memórias o mal que o petardo causou ao mundo. Nem essa desgraça se assemelha ao mal que o agudo da velhice nos causa como animal racional que somos. A gente, bem antes da velhice bater em nossa porta, já faz caminhada, deixa de lado os prazeres dos bons pratos e o barato de todas as bebidas assim como certas estrepolias. E para quê, se dias, meses, talvez um punhado de anos mais a gente acaba levantando os braços e entregando toda a nossa esperança ao que vem nos
 roubar a vida? É triste fazer parte de um time que há muito vem angariando vitórias para, num
 futuro nem sempre distante, nos roubar o troféu da eternidade, prêmio que ninguém até hoje 
conquistou por  mais que a ciência venha tentando. 
    Eu, a turma daqui de casa e a redondeza, estamos torcendo para um milagre acontecer,  por menor que possa parecer, mas que transforme em tentáculos aqueles dedos frágeis que já não sustentam o corpo que de tão leve nem exige um braço de ferro, só que na dúvida a gente quer contar com essa força para mantê-lo mais tempo em nosso convívio, sem dor e sofrimento, até que Deus, de quem tanto se espera, nos convença que não é como eu falo que as coisas acontecem, porque só com amor e resignação se deve entender e viver a vida que nos foi dada sem que nada nos tivessem pedido em troca.