sábado, 15 de agosto de 2015

VIDA BOA ESSA DA GENTE...

     
        Eu jamais bebi tanto como quando o meu amigo, aquele de quem eu falo a cada frase que escrevo, viajou para a Alemanha. Esse cara reuniu a nossa galera e após um breve discurso estourou a rolha do champanhe para autenticar a sua fala.  Logo ele que nem para se dar ao trabalho de saber se a bebida é doce ou rascante ele presta, só não se omite se for preciso levar para casa o parceiro que, embriagado, der pinta de que vai morgar a qualquer momento.   Pois bem. Esse cara convocou os amigos e despediu-se de cada um com um abraço bastante demorado, como aquele que se dá ou se recebe quando a gente pensa em partir sem planos de voltar. Eu mesmo já fugi dos abraços e dos papos de finais de noites de alguns bons e fieis amigos que no meu peito deixaram uma grande saudade, mas voltar, acredito, ainda não penso. As coisas mudaram e com elas eu também mudei; constituí família e algumas pessoas, entre várias, se tornaram indispensáveis para os papos que eu gosto e as pequenas viagens que, de quando em vez eu faço para relaxar.  Enfim, a gente bebeu a despedida do querido amigo. Do meu amigo pois ele era mais meu do que dos outros porque duvido alguém tivessem por ele um amor igual ao meu.  Até a hora da partida eu me lembrava de tudo o que estou dizendo só não me recordo do que eu teria feito depois que o avião levantou voo e levou no seu ventre um cara que felizmente não era uma mulher ou pensariam que a nossa relação estaria mais para paixão do que para uma singela amizade.  Hoje eu e os amigos, esses últimos de quem acabo de falar vamos queimar o pé.  Vamos beliscar alguma coisa para disfarçar e encher o pote antes que a velhice chegue com suas regras já que ao chegar ela com certeza trocará as nossas doses de uísque pelas doses de xarope e as garrafas de cerveja por ampolas de insulina e ainda vai achar que a gente ficou feliz com tudo isso. Deus e as boas famílias hão de me compreender porque fazer bom uso da vida não é fazer o que os outros gostam ou querem, mas fazer com  respeito tudo aquilo que se deseja e dentro das nossas posses, o que a gente tem sonhado. 
-Tim tim!