terça-feira, 4 de agosto de 2015

É BINGO, MANO. SÓ QUE NÃO.


Acordei assustado essa manhã.  Não assustado como quando era criança e fui 
dormir na casa de um amiguinho porque a nossa estava em obra. Aquela talvez tivesse sido a noite mais quente da minha vida e se isso não bastasse eu apanhei mais do que bati nos mosquitos que não me deixavam dormir. Depois eu acabei tentado a roubar alguns biscoitos de uma lata que a mãe do colega tinha colocado no alto da prateleira. O pior é que eu acabei derrubando um pacote de farinha de trigo que me cobriu dos pés a cabeça, de branco.  Antes de dormir eu vi a mãe do garoto, um amigo de infância, colocar os benditos biscoitos na terceira lata no alto da prateleira e como eu estava morto de fome esperei que todos dormissem para, na ponta dos pés, tentar roubar alguns, mas por azar derrubei em cima de mim a bendita farinha que, na escuridão eu não vi que estava lá.  Com o barulho as luzes se acenderam e ali, na minha frente, apareceu dona Alice, a mãe do meu amigo, com um monte de bobe enrolado no cabelo, perguntando se eu tinha me machucado. Perguntou de sacanagem, porque já imaginavam o que eu estava procurando. Depois de todos acharem que já tinham me sacaneado o suficiente, voltaram para suas camas enquanto eu, puto e esbranquiçado, retornei para a minha.  Hoje, no entanto, eu fiquei bastante confuso por ter acordado de um sonho que rezava como certo ter o meu melhor amigo acertado todos os números da Mega-Sena.  Ele não acertou somente dois, três ou quatro, não. Mas todos os seis, coisas que jamais passara por sua cabeça e muito menos pela minha que só na mega de natal eu tenho tentado a sorte. Esse amigo de quem eu estou falando não é um cara qualquer, mas um sujeito que dá o próprio braço se alguém de sua relação precisar de um dedo para ser feliz.  Portanto, imagina como eu fiquei até que do outro lado da linha a Cátia, sua mulher e fiel escudeira, me garantiu que tudo por lá ia bem e que o meu amigo não estava em casa no momento porque saíra para comprar duas quentinhas já que não estavam afim de cozinhar. 
Eu nunca senti tanta pena de alguém como senti desse amigo, hoje.