sábado, 22 de agosto de 2015

COISA DE MALUCO.

       
         Já estamos no século XXI e ainda querem que eu me cale se atinjo o clímax na relação com a mulher que me permitiu levá-la à cama.  Estamos no final dos tempos e ainda me vejo obrigado a calar a boca da mulher que por ventura choraminga ao atingir o ápice de um orgasmo que há muito a gente corre atrás para ser perfeito. Estamos próximo do fim do mundo e no entanto eu não me vejo socando o peito como os gorilas, caindo de costas dentro d'água, tais quais os marrecos ou desmaiando como fazem os leões depois do amor que faço com a minha eterna namorada no escondidinho aconchegante do cafofo lá de casa. Por que os outros animais transam na frente de todos e de tudo e a gente não pode fazer, nem mesmo, às escondidas porque sempre tem alguém pretendendo jogar água fria para separar? Basta que os meus passos sejam ouvidos quando volto do meu trabalho para que os maliciosos se joguem de encontro a parede na esperança de ouvirem o meu grunhido e dela os miados da gata selvagem de olhos verdes que é.  Não acredito que seja doença, esperteza ou bobeira, mas ficar estimulado com o som da cama alheia, só com os fracos tem sentido. Na primeira noite que fiz amor com essa garota o prédio, se não fosse bem alicerçado, teria pendido para o lado, como pendeu a torre de pisa, porque os moradores dos apartamentos colados no meu forçavam contra a parede as suas orelhas cabeludas buscando ouvir os risos nervosos da minha gazela e os gritos de vitória que eu tenho como hábito dar todas as noites quando conquisto o lado perigoso do Evereste do corpo dela.  Quando eu saio para o trabalho os homens me olham com falso desprezo enquanto as mulheres, bem, essas são trancadas dentro de casa para não conhecerem o He-man que a mulher que eu tenho me faz, enquanto as crianças, bobinhas, coitadas, se perguntam o por quê do reboliço quando um cara responsável e  trabalhador como eu sai pela manhã e volta ao anoitecer com o sorriso maroto que mantenho riscado em minha boca?
       Pelo visto o mundo vai acabar e as crianças não escutarão a resposta.