sexta-feira, 24 de julho de 2015

TEM ALGUÉM AÍ?

Bateu palmas chamando pelo morador, mas como ninguém o 
atendia empurrou o portão e foi até a janela da casa buscando se anunciar. Choro, resmungos e gritinhos abafados pelo travesseiro era só o que podia ouvir. Depois de olhar para os lados e ter a certeza de que ninguém o observava empinou o nariz e na ponta dos pés atirou a curiosidade através daquele espaço para ver o que acontecia. Era um pequeno quarto aonde a dona, uma senhora beirando 60 anos, se achava deitada e sob um lençol amarelado e que mal lhe cobria as pernas se contorcia entre gritinhos e resmungos sem tirar os olhos da tevê. Parecia ser um filme proibido, pensava o gajo, para mexer com a curiosidade e aflorar a libido estimulando o que se poderia chamar de desejos adormecidos daquela pobre mulher. O som dos gemidos que pareciam vir da telinha era a razão da dona não  escutar as palmas e ouvir o chamado do rapaz. Aliás, nem ela e nem ninguém deixaria de fazer o que parecia estar fazendo para atender um cara que talvez até resolvesse o seu problema desde que ela confiasse a ele as suas necessidades.  Também podia ser que o jovem nem estivesse a altura de apagar tão altas labaredas. Acho que foi melhor assim, pois vai que os atributos dele não fossem parecidos com os do protagonista que por sua vez, garboso e cheio de vaidade, exibia aquelas coisas para quem talvez nem acreditasse no que estava vendo. Como agiria essa criatura se confiasse a um estranho com tão pouca idade toda a sua intimidade, suas carências e o calor dos seus desejos, como ficaria essa mulher? 
Ainda pensando nisso o jovem, não mais que de repente, levou um baita susto quando procurando por detrás das cortinas vir o que rolava na tevê, ouviu um berro que, caso ele estivesse subido numa escada teria levado um baita tombo e se estatelado todo no chão àquela hora; a mulher rolava em convulsão. Parecia uma serpente cuja espinha fora quebrada, pensava o moço. Mexia e remexia entre gritos e soluços, choros e risos. Coisa de doido. Ele não esperou para ver se ela ficara nua naquele mexe, mexe e nem que fim levou a coisa. Saiu dali do mesmo jeito que entrou. Bateu atrás de si o portão que enferrujado gemeu quando foi fechado causando nele a certeza de que tudo por ali chorava ou gemia, de ferrugem ou de prazer.