sexta-feira, 10 de julho de 2015

CORAÇÃO FRÁGIL EM PEITO ERGUIDO.

Dizem que as porradas que o mar dá no rochedo é que 
forma as belas esculturas. Quem fala também garante que o diamante e outras pedras preciosas só têm justificado o seu valor depois que o esmeril lhes puxa a alma aos nossos olhos. O mesmo não acontece na relação homem mulher.  O atrito que a discórdia cria em suas vidas  em nada melhora a convivência e se antes um achava o nariz do outro uma beleza logo refaz sua maneira de gostar.  No princípio os bíceps  e o peitoral definido eram aconchegantes e protetores na concepção da companheira ao passo que os cabelos corridos que emolduravam o belo sorriso, assim como  as pernas bem torneadas  e o par de peito rijo apontando a lua, eram, às vistas dela, os motivos que o mantinha preso, ajoelhado.  Eram, talvez não sejam mais, já que o constante atrito entre as partes acaba desmistificando essas belezas, ao contrário do esmeril que busca a gema na alma do rubi, taxando como tolas as qualidades que cada um achava existir no outro. Se precisarem encontrar na rua a qualidade de vida que tinham no princípio, eu aconselho a separação e que busquem, da melhor forma possível, a paz, os  carinhos e a compreensão nos braços de quem talvez nem saiba o que amor próprio venha a ser, pois viverá a vida que a ele for indicada.  Assim ninguém perderá a credibilidade do respeito e da honra que lhe sustentam o queixo. Nada melhor que pedir desculpas, dizer que errou na escolha, que a flecha foi disparada na intenção do alvo, mas passou longe da mosca e foi matar a triste borboleta que se aconselhava numa flor.  Agindo assim ambos poderão sofrer por vinte dias, duas semanas ou vinte e quatro horas. Cada um, diferentemente do outro, reagirá 
à sua maneira. Não espero que paguem para ver, mas se o pagamento 
for inevitável, que não se esqueçam de pedir o troco ou 
doá-lo como gorjeta, se isso lhes der prazer.