terça-feira, 21 de julho de 2015

BUMBUM DE OURO.

    
             Estava tão entretido com o desfile do mais perfeito bumbum do ano para o qual fui 
convidado que nem me dei conta da presença de uma garota com quem troquei uns olhares na saída de um baile à caipira. A gente não chegou marcar encontro, aliás, a gente mal se conhecia, mas por achar que eu babava com aquelas bundas bem feitas e apetitosas desfilando a três palmos do meu nariz, não teria como a jovem não desatinar se fosse ela alguma coisa minha. Revoltada ela saiu batendo os pés e resmungando palavrões. Ficara puta quando reparou no meu olhar guloso que eu, mesmo sem notar, deitava sobre cada uma das concorrentes. Tal fato retorcia o nariz de quem não disfarçava a cara feia ao se lembrar que eu  só agia assim para dizer que sou machão, segundo me confessou.  Pensando bem eu acredito que ela tinha razão porque aquelas bundas bem trabalhadas  me tiravam o fôlego e até me peguei suspirando por uma das que eu achava que levaria o prêmio, mas terminou ficando em último. Enquanto ela falava se referindo aos meus defeitos eu olhava as qualidades das garotas  e em cada uma eu via  a perfeição das suas curvas.  Sim, eu via, porque a perfeição está para os olhos como a poeira para os móveis; a gente só enxerga passando o dedo. Talvez isso tenha despertado a atenção de quem debulhava um rosário de queixas contra um cara simples e puro, mas que fica bobo quando vê uma bela bunda. Um sujeito trabalhador, simples e de bom caráter, que respeita qualquer mulher, inclusive a dele, merecia ser perdoado pelo que confessa gostar tanto.  E a moça, aos trancos e barrancos acabou tirando a minha concentração, e receoso da gente atrapalhar a festa fui com ela até o bar anexo, aonde depois de dois uísques duplos concordou em ir embora. Foi, mas foi berrando a minha traição. Berrando com aquela boca vermelha, carnuda e gostosa que me levou à loucura depois do baile no momento em que lhe dei carona.    - Ah, desculpem, eu não queria falar da boca, mas da dona da boca. Mulher bonita de corpo perfeito, cujo defeito, que sorte a minha, é achar que eu tenho tudo que tem os cafajestes. Segundo ela  eu sou dono de uma boa  pegada e que, no momento em que revirou os olhos, permiti-lhe que visse estrelas faiscantes e borboletas coloridas num orgasmo que jurou jamais ter tido. Quando dei por mim eu já estava em sua casa pronto, como sempre estou, para lhe dar carona.