terça-feira, 23 de junho de 2015

SE BEBER, POR FAVOR, NÃO DIRIJA.

         
          O irmão de Rose chegou com um amigo do futebol que joga nas sextas-feiras a noite a quem a apresentou.  Os dois rapazes, que de dança nada entendiam, combinaram de ir a um baile funk próximo a casa dela para ver como é que era.  Ela, que de todas as raças escondia a preferência pela negra, eriçou-se com a chegada do rapaz.  Os dois conversavam, como se amigos fossem de longos anos, enquanto o irmão tomava banho, mas na vez do amigo com quem ora conversava, mesmo antes de a porta do lavabo se fechar a garota já imaginava todos os movimentos que faria. A cada peça que possivelmente ele tirava, ela, na sua fértil imaginação se arrepiava até que nu na sua frente ela achasse que estivesse.  Deitando de lado a última peça que vestia ele ergueu uma das pernas para ver em que estado ela ficou com as porradas que na partida recebeu. Imaginando vê-lo desse jeito cada um dos seus vários desejos umedeceram na memória da menina e se não fosse o irmão perguntar se ela estava com os pensamentos no mundo da lua e a garota teria tido um orgasmo no corredor entre seu quarto e o banheiro onde o recém-chegado se refrescava.
         Envolto numa toalha o rapaz fechou a porta do banheiro atrás de si. A toalha, como ela desejava, não deixava pista de querer cair, porém seus olhos não tiveram a mesma sorte, caíram sobre ele na altura do abdome definido para ali se fixarem por todo o tempo que lhes foi possível, e foi mordendo os lábios, contra vontade que os desgrudou do volume que a toalha mal disfarçava. No seu quarto, Rose, não pensava em outra coisa. - Não me importa se sou virgem ou quando e com quem deixarei de ser, pois o que me interessa de verdade é que esse cara durma essa noite aqui em casa e como eu sei que no lugar aonde eles vão ninguém fica sem beber, nem sair como eu tinha combinado com minhas amigas eu quero mais, só para vê-lo chegar e na cama ao meu lado me deitar. As mesmas forças, que não precisam ser tantas para trazê-lo do baile até aqui, serão suficientes para que tatue na minha vida o melhor momento que certamente foram reservados para mim. 
     Era alta madrugada quando o amigo parou o carro para deixar o irmão dela. Rose, que ansiosa os aguardava vestindo uma linda camisola no obscuro da janela, fingia ter levantado naquele momento e num gesto orquestrado tomou-lhe das mãos as chaves do carro evitando que fosse pego na lei seca por ter bebido. Dizendo que álcool e direção não combinavam a garota o envolveu pela cintura com um braço e o levou até um quarto nos fundos da casa que com muito esmero preparou para, tempos mais tarde, ouvi-lo dizer que naqueles aposentos dormiu o mais reparador de todos os sonos.