terça-feira, 2 de junho de 2015

TODOS SÃO IGUAIS.

           Gilda achava que tinha encontrado a metade de sua laranja quando conheceu um cara que não veio para pedir a não ser que passasse com ele alguns momentos. Talvez até quisesse, mas decidiu deixar que o tempo tomasse o seu partido desde que pedisse a ela para se casar com ele que em troca lhe daria paz, segurança e uma casa com flores e filhos e se isso não bastasse, entregaria em suas mãos a sua própria vida. Logo ela que jamais acreditou na fidelidade de um homem, no respeito dele pela família, no seu companheirismo e cordialidade depois do casamento. Talvez fosse para ela um choque acreditar que estava enganada, que nem todos os homens eram iguais e que de olhos fechados poderia aceitá-lo em casamento. 
-A festa foi linda, digna de princesa. Nem mesmo acreditava que alguém pudesse ser tão feliz como Gilda, com seu sorriso, mostrava que era.  A cada passo vinha alguém para abraçá-la como se o casamento não tivesse acontecido a tanto tempo e nem ela acreditava que o tempo passava e o homem continuava sendo o mesmo cavalheiro do primeiro dia.  Já seu sócio era completamente diferente das pessoas que ela conhecia, pelo menos era isso que pensava seu seu marido. Meu sócio gosta de contar vantagem, mas o respeito que eu sei que tem pelos outros, o seu tino para os bons negócios e a amizade que temos há tanto tempo é que nos mantém como dois irmãos. O marido não mentira. Carlos dava a impressão de ser grosseiro, talvez fosse essa a forma que encontrou para se manter distante das mulheres proibidas, mas isso, pelo contrário, as atraía ainda mais. Jovem, bonito e muito bem encaminhado nos negócios, era, sem sombra de dúvidas um banquete para muitos talheres. Nenhuma mulher que se conhece seria maluca suficiente para discordar.  Ao conversar com um homem, estando ou não com seu marido, Gilda lembrava do rapaz. Tudo nele era igual aos homens dos quais se afastava e por isso jamais namorou até que conheceu um santo com quem está casada.  Carlos, no entanto, era machão, contador de vantagem, um verdadeiro cafajeste. Dizia que fazia isso e aquilo com as mulheres que passavam em sua vida e não escolhia com quem falava essas barbaridades. De tanto pensar nele, a moça que desejava morrer solteira a ter que se entregar a um tipo como aquele, estava de quatro e não sabia. Ou será que ela sabia?
     Sempre que os dois se encontravam ele fugia das flechas que os olhos dela disparavam sem saber que tais flechas entregavam aos seus desejos a dona do arco que as arremessava. A todos os desejos, queria ela, mesmo que disso segredo ele não guardasse.