quinta-feira, 21 de maio de 2015

SÓ DEUS...

     Eu não questionaria a cor da sua pele porque não participei do plebiscito para escolher a minha. Aliás, pouco importa a cor do barco quando um náufrago é socorrido desse mar revolto, e menos ainda me importa se azuis são ou não são seus olhos, se você gosta de menino, de menina ou quem sabe dos dois  se assexuados são os anjos.  Não me interessa, aliás, interessa sim, a pobreza em que vivem os seus pais e seus irmãos, a dificuldade que a maior parte de nossa gente tem para estudar e com certeza afirmar que a capital dos Estados Unidos não é  Nova York.  Não me importa saber se no time de basquete da escola, aluno da sua estatura não tem vez.  Não, não me importa, pois o mundo pode até ser uma bola, mas os seus caminhos são cumpridos e sinuosos.  Eu também não quero saber se a sua namorada é bonita, rica, se concluiu os estudos ou trabalha numa casa de família.  O que eu quero saber é da sua dignidade, do respeito com que trata os pais, as crianças, os mais velhos e a força de vontade demonstrada na conquista do impossível. No meu caso que sou de cor branca, de classe média, tenho boa saúde e ninguém tentou interromper a trajetória, fica a ideia de ser mais simples que a dos outros, já que tenho tudo ou o suficiente fazendo exatamente como todo mundo.  Mas se você me perguntar por que eu vivo a vida boa que aparento ter se nada fiz para merecê-la, eu, sinceramente, sem pretensão alguma afirmo que viveria qualquer vida que tivesse, mas trabalhando sempre, como fazem os nobres, para melhorá-la, mesmo que não conseguisse. Nasci com a cor escolhida pela sorte enquanto a minha saúde é resultado do gene da minha família e se estudei em boas escolas foi porque meus pais me puseram lá, era a mais próxima da minha casa ou por não ter encontrado amigos indesejáveis para entortar o meu caminho.  Todos somos iguais perante às leis de Deus e dos homens, por isso deveríamos ser tratados com respeito e à nós ser dado a mesma oportunidade que alguns têm como a saudade e o sofrimento, sem nos esquecermos da felicidade que a vida impinge.