segunda-feira, 25 de maio de 2015

SERÁ QUE VAI DAR SOL?

      Ontem foi um dos piores dias para aquele casal que resolveu passar o fim de semana no chalé da família da namorada no alto da serra.  Sem dar bolas para a moça do tempo encararam a estrada. Quando tinham percorrido a maior parte da viagem o tempo virou  a cara e ficou com ela feia até o  anoitecer do dia seguinte quando São Pedro, num gesto de loucura, decidiu jogar toda a água que tinha no céu aqui para baixo como se quisesse afogar o mundo.  Presos num quarto e sala à luz de vela os dois não tinham o que fazer a não ser  olhar o temporal através da janela. Os dois concordaram que foi loucura sair pensando que o tempo fosse melhorar, porém loucos, de verdade, eram os que forçavam a porta do casebre. Serginho calou a boca da mulher com a mão enquanto com o dedo na própria boca pedia silêncio. Temia que fosse um animal, mas também poderia ser algo pior.  Ouvindo mais atentamente perceberam que não se tratava de nenhum bicho, mas de umas pessoas buscando abrigo. -A gente percebeu movimento na casa aí resolvemos chegar e pedir ajuda. Não precisamos de luxo, mas de um canto onde eu e a sobrinha pudéssemos passar a noite, disse o visitante que mais parecia ser pai da garota do que tio.    Claro, respondeu Margot. O espeço não é lá essas coisas, mas ajuda, e muito num momento desses. Ricardo tinha uma casa no outro lado da serra, mas como a possibilidade de atolar o carro era maior do que o risco de não serem recebidos, decidiram pela segundo ideia.  Nós temos algumas cervejas, mas estão quentes. Temos café, mas não temos filtro para coá-lo, disse Paulinho sem olhá-los. Bebida gelada nós temos no carro e como já estou molhado posso buscá-la pra gente queimar o pé e, concluiu o visitante; isso se vocês não se importarem.  Antes de ouvir o sim, Ricardo se enfiou na chuva, desceu a rua até onde havia parado o carro, colocou o isopor na cabeça, pegou alguma coisa na mala, jogou numa bolsa e, ajudado por Serginho descarregou sobre a mesa. Duas horas mais tarde a chuva ainda botava medo, ao passo que a turma se divertia como se há muito se conhecesse. A cada beijo que Margot deixava na boca do marido, Sandrinha olhava para o tio. A certa altura Morgot gritou alto e em bom tom; beija ela também, tio. A gente aqui não tem essa de achar que um cara da sua idade não tem direito de namorar uma garota mais nova. Vai fundo, beija ela que eu faço um brinde ao amor de vocês dois.  Uma gargalhada grupal e o som dos copos se tocando foram ouvidos enquanto, de um só gole, a turma esvaziou seus copos para reabastecê-los depois.
      Eram dez horas da manhã de domingo quando o primeiro se levantou. Cada um olhava e era olhado como  se perguntasse; por que me deixou beber tudo o que bebi? 
      Enfim o domingo chegou e foi embora levando com ele um sol lindo que brilhou o dia inteiro num céu tão azul que ninguém acreditaria se dissessem que o tempo fechou ali.