domingo, 17 de maio de 2015

DÓI QUANDO NÃO É POR AMOR.

  Ela me disse, meio sem graça, que a dor que lhe causei foi a maior que qualquer homem poderia impor a ela. Acontece que, desde os meus 20 anos venho praticando o mesmo ato na intenção de ser o melhor ou, se possível, um cara para morar nas lembranças de qualquer mulher, principalmente nas que exigem o máximo de um tipo igual a mim. Este ato só deve ser feito por quem tem fala macia, bom porte físico, mantém o próprio corpo sempre asseado e traz consigo as ferramentas do prazer. Ninguém, diga-se de passagem, resiste a um homem bonito e educado, cuja fala macia ao pé do ouvido arrepia os pelos até de quem os mandou raspar. Mas como eu ia dizendo; fiquei fora de mim quando aquele mulherão, com sorriso de criança iluminando o rosto, correu em minha direção pelas areias brancas da praia de Ipanema.  Teria de fazer um grande sacrifício para esquecer que por uns dias essa menina, na época com 19 anos, se entregou aos meus cuidados numa casa onde eu morava fora da cidade. Ela, tão logo me viu chegar disse qualquer coisa à pessoa que estava embaixo da sua barraca e saiu ao meu encontro como se algo de sério existisse entre nós. Sob a barraca ela deixou um jovem talvez da sua idade que nos observava com um par de olhos curiosos. Ela está nua, pensei comigo. Ou melhor, ela pensa que veste um biquíni que nada esconde enquanto eu me resguardava dentro de uma sunga que há muito não vestia, e uma camiseta branca que ficou com a imagem dela marcada pelo óleo bronzeador que usava.  Você ainda se lembra de mim? Arrisquei lhe perguntar. Mais é claro, respondeu trepando nos meus pés para não queimar os seus. Tem momento que eu me entrego aos pensamentos e acabo chorando com algumas lembranças.  Aí eu me pergunto; o que teria aquele homem de especial que talvez outro não tivesse para me fazer acompanhá-lo à sua casa?  Talvez a experiência que eu adquiri com isso já me tivesse tirado de muitas enrascadas, até porque, você me fez sofrer, principalmente nos momentos em que eu mais precisava de você.  Felizmente não perdi a razão e muito menos a vida nas mãos de outros homens que têm um pouco de você, mas que são inescrupulosos ou sádicos, eu poderia dizer, concluiu ela. 
      Como eu morava ali perto, na Vinícius de Moraes, peguei-a pelo braço, cruzei a Vieira Souto e subi ao segundo andar para um suco como havia prometido.  A minha intenção era tomar a bebida, mostrar meu novo apartamento e voltar à praia,  mas a saudade nos prendeu por tanto tempos que as luzes da Rua acendiam quando eu a coloquei, com o mesmo sorriso de menina, num táxi de volta às velhas lembranças.
Subi os dois lances de escada num fôlego só, guardei as tralhas novas com as quais trabalho e aproveitei para consultar a minha agente aonde, felizmente, muitas clientes bonitas e gostosa se deixarão nas minhas mãos para uma massagem de perder o fôlego, mas que as deixarão felizes e apaixonadas com o que eu faço.