terça-feira, 5 de maio de 2015

QUEM GARANTE SER VERDADE?



   
       Eu acredito que você já tenha ouvido falar ou lido que por volta do século XIX, Lucrécia Borgia teria sido, segundo o historiador Jules Michelet afirmava sem deixar transparecer um pingo de dúvida,  a verdadeira imagem da messalina incestuosa e intrigante. Teria tido ela vários homens  aos quais se entregava como uma cadela no cio às loucuras que porventura  quisessem fazer com ela, como ele também garante.  Mas, por ter tido vários abortos e assistido a morte dos que a cercavam, Lucrécia teve sua saúde enfraquecida de tal forma  que sua morte foi triste e dolorida.  Tais fatos devem ter inspirado de certa maneira os românticos  que ela acabou por se tornar a heroína de uma das tragédias de Victor Hugo e objeto de um conto de Mérimée, inclusive figurou como um belo destaque em Les crimes célèbres de Alexandre Dumas.  Assim pelo menos me garantem os livros.  Isso por volta  de l.480, pouco tempo antes da descoberta da América e do Brasil.  Seu padrasto, cujo nome não me recordo por mais esforço que eu faça, deu a ela a refinada educação da aristocracia.  Aprendeu línguas antigas, conviveu com a poesia, interagiu com a música, estudou filosofia e letras latinas.  Salústio, Aristóteles, Tito Lívio, Virgílio e outros garantiram sua formação que de certa maneira se revelaria útil para um destino igual ao dela.  Fruto de uma relação entre um cardeal e sua preferida, como a história conta, Lúcrécia foi uma mulher que a memória faz questão de mascarar. 
     A imagem que se tem dessa mulher é a de uma pessoa manipuladora, sem escrúpulos e de costumes depravados.  Eu mesmo já narrei fatos que faziam de Lucrécia uma doente, sexualmente falando.  Já contei que ela escondia sua identidade e pagando às prostitutas tomava-lhes o lugar  aonde se oferecia a todos e quaisquer homens que se dispusessem a transar com uma mulher fogosa, jovem e bonita.  Nem bem Roma tinha acordado e lá estava ela se oferecendo aos pretendentes. Lucrécia só voltava à casa quando se sentia extenuada, machucada, porém nunca saciada. É claro que nada disso era verdade por mais que nos forçasse acreditar os vendedores de mentira.