sexta-feira, 1 de maio de 2015

A FRIAGEM DE PENEDO.

O frio que fazia em Penedo não me deixava conciliar o sono, diferentemente dos
meus amigos no quarto ao lado, por isso revolvi, de fininho, deixar a cama e sair para ver a lua se isso a mim fosse possível. Vesti um casaco grosso de lã que jazia sobre uma cadeira e fui à sacada do hotel como se convidado pelo improvável eu fosse. Nada ou quase nada eu podia enxergar depois do meu nariz. Algumas luzes piscavam para vencer a cortina da noite até que um vulto ou melhor, duas pessoas cochichando debaixo  da marquise da minha sacada e um cheiro de cigarro diferente do tradicional despertaram minha atenção. Uma voz soturna pedia que a dona de uma voz fina e suave aceitasse o que ele a ela oferecia, só que ela relutava dizendo não. A brasa do cigarro avermelhava em cada tragada iluminando a cara dele que assoprava de volta no rosto dela enquanto, aos tapas, tentava se livrar do risco que corria.  Você já fez isso que eu sei e por que não quer fazer agora, hein? Disse-lhe já sem paciência enquanto enfiava na boca da garota o que ela não queria. Se eu soubesse que era para isso eu não teria vindo te ver, resmungou a garota quase chorando. 
Diante daquele quadro eu me perguntei; o que eu faço numa situação dessa, meu Deus? E se a garota fosse minha filha, de que maneira eu gostaria que a socorressem?  Voltei ao quarto e liguei para a recepção que prontamente enviou um segurança muito cauteloso que chegou sem se deixar notar. Para não dizer que eu tinha alguma coisa haver com aquilo me tranquei no quarto e só voltei à sacada por causa da confusão que se formou lá embaixo. O jovem era filho de um delegado que sempre se hospedava com a família naquele hotel enquanto a menina vinha a ser uma das filhas do dono.