quarta-feira, 1 de abril de 2015

SÓ PERFILADO SE ESCUTA O HINO.

Você disse que a pinta azul no dorso de sua mão é o charme que não gostaria de perder, 
mas eu, que tenho mais tempo de dermatologia do que você tem de idade, o aconselharia fazer uma  biópsia dessa mancha para não ter com que se lamentar no futuro. Aparentemente não é nada, mas já que você veio até aqui, não custa nada te dar esse toque. Nesse caso eu precisarei fazer biópsia numa outra igual a essa, mas ela está em um lugar difícil para te mostrar. Disse-lhe eu envergonhado. Baixe as calças e mostre-me, falou-me ela sem também tirar dos meus o negro do seu olhar. Abri as calça e com muito sacrifício e um certo constrangimento, botei pra fora aquilo de que tanto me orgulhava, e por falar no dito cujo, muitas garotas curiosas eu consegui por causa dele e se mais de uma pinta eu tivesse ali talvez elas pensassem que eu tinha piru de dálmata. Aliás, não era uma pinta, mas como a doutora disse; uma mancha tal o seu  tamanho.  Até textos eletrizantes eu já fiz por achar que era dono do mais lindo órgão de reprodução e de prazer. Como eu ia dizendo, baixei as calças e deixei que ela tocasse a peça que nem assim despertou do sono que dormia. Ela virava e revirava a linguiça branca e fina para tudo o que era lado, mas nada dizia, talvez porque eu não estivesse nem aí para o exame detalhado que ela, ajoelhada, fazia nele. Não sei se era por vergonha, pelo frio do ar-condicionado ou da Dra. achar nele algo que pudesse custar a minha vida que o bicho ficou frouxo e envergonhado, como eu.
No hospital aonde fiz a biópsia a gente ficou mais à vontade. Eu deitado naquela maca gelada enquanto ele, deitado no calor da minha coxa, se mostrava com mais dignidade. O azul da pinta deu motivo às jovens, residentes, para comentar o fato.  Enquanto uma o puxava para cima a outra o puxava para o lado. Todas pareciam cegas já que liam com as mãos enquanto eu ficava ali, sob aquele enorme holofote me ofuscando as vistas. 
         Até hoje eu carrego uma cicatriz. Eu não, ele, que felizmente não se ofendeu quando o comparei a uma linguiça desmilinguida, caso contrário não demonstraria patriotismo nas noites em que minha mulher canta o hino nacional pra ele.