quinta-feira, 23 de abril de 2015

ESSA VELHA PSICOLOGIA...


      Tem gente que basta ouvir alguém durante alguns minutos para saber com quem está lidando. Eu, recentemente, fiz um texto que falava do homem e da mulher e na oportunidade devo ter deixado que soubessem mais de mim do que o necessário, inclusive dos que dividem comigo a vida.  Naquela oportunidade eu falei sobre coisas simples e sobre as que movimentam o mundo, as que parecem de pouca relevância, mas que, a meu entender, ditam a velocidade do vento. Uma dessas pessoas, que eu me reservo o direito de omitir o nome, falou-me da tristeza que eu maquio nos textos que posto nos blogs, coincidentemente frequentados por ela.  Essa pessoa, sem nenhuma pretensão, reabriu na minha alma uma ferida que há muito eu pensava ter cicatrizado.  Suas palavras eram doces, do jeito que falam os mediadores de um sequestro para imobilizar o criminoso. Foi, portanto, doce e gentil, mas aquelas palavras também  romperam, sem que fosse sua intenção,  o lacre que prende o ar na  bola de assoprar, e eu vomitei o que ainda restava em mim. Vazei as águas que me afogavam destruindo bairros e cidades no meu inconsciente. Chorei sobre as letras, não sobre algumas, mas sobre todas. Chorei o suficiente para confundir as concordâncias e de lugar trocar os acentos, os pontos e as vírgulas, assim como transfigurei a minha própria cara com o inchaço dos meus olhos.
  Talvez eu devesse fazer terapia para buscar a razão do alarde que faz minha’alma diante dos que têm o privilégio de ler nos gestos e nas palavras a euforia extremada ou a alegria exacerbada que é digna de quem não tem uma trilha para caminhar. É provável que a terapia acalme o ímpeto das grandes ondas que tentam levar aos rochedos o barco do meu raciocínio ou ao fundo do mar como se lá fosse o seu derradeiro porto.