terça-feira, 17 de março de 2015

PERDI, MAS ENCONTREI DE NOVO.


Quando a gente perde alguma coisa e quando encontra já nem se lembra mais,
 nem sempre se tem certeza de que,  de verdade, aquilo nos pertenceu.  Eu já me vi numa situação dessas quando vivia enclausurado no escritório que eu tinha em minha casa. Naquela ocasião eu trabalhava mais do que era preciso, me alimentava mal e sempre fora de hora. Por isso fiquei seco, magro, esguio.  Não tinha como não perder o que jamais pensei fosse possível. Perdi  há dois anos o que volta a conviver comigo quando mudo o meu comportamento, mas aí tudo já está definido e bastante diferente.  Não me encontro  do mesmo jeito que eu era,  até pelo contrário, fiquei menos interessante e  já não chamo tanto à atenção. Agora eu estou com uma nova cara, um novo jeito e já não sei se me alegra tê-la encontrado depois de todo esse tempo separados. Qualquer coisa que se perde leva com ela um pouco da gente, mas nesse caso valia a pena perder o que perdi, pois só dessa maneira eu fiquei mais confiante e até um pouco mais bonito. Agora sou obrigado a exibir tamanho barrigão que mais parece o de uma grávida de duas semanas, sem querer desmerecer ninguém, mas tal fato me incomoda pra cacete. Seria bom se eu pudesse me manter do jeito que era, quando tudo em mim era grande, menos a barriga, é claro. Mas agora, que parei de sofrer por estar comendo o que antes não podia, as minhas coisas voltaram a crescer. Eu sei que tudo já não cresce por igual, uma vez que a área onde fica o meu umbigo desandou num crescimento como se chegar na frente fosse melhorar meu porte. Tudo era grande, eu disse, mas a barrida era negativa. Agora está positiva deixando a impressão de que um filho dela nascerá. Filho da preguiça, dos péssimos hábitos que tomei para mim e das doenças que um cara barrigudo como
eu sei que posso ficar está propenso a ter.
Agora é só fazer alguns supinos, umas flexões de braço, correr alguns quilômetros e esquecer que tudo isso me dará fome. Talvez mais do que eu tenho tido,  mas aí é outra história.