sábado, 7 de março de 2015

NA BARRA DA SAIA...

    Quando eu nasci ela já estava ali para me proteger. Foi sob a proteção dos seus braços, na certeza de que jamais morreria antes de mim que eu me lancei no espaço em busca do crescimento.  Como as borboletas que muitas vezes eu pude ver entorno dela eu tive as minhas fases e como os cães apurei meu faro para, à muitos, impor o respeito da minha presença. Antes de dar os primeiros passos eu já me encantara com a sua impavidez, com a segurança que eu tinha ao lado dela, com a sua beleza, principalmente na primavera quando de flores cobriam os seus cabelos. Ah, como ela era linda. No outono passado, lembro-me com tristeza, ela dava os primeiros sinais da sua dor. Enquanto as outras se mantinham como se ainda fossem pequenas, você se curvava como se a sua estrutura já não suportasse o peso do seu corpo que por sinal, não era tão grande assim. Você, enfim, fez o seu papel. Nasceu sem saber até aonde poderia ir. Cresceu sem saber para que Deus a queria grande. Deu flores, muitas flores, mas também deu frutos de forma que você, do alto de sua majestade os vissem correr atrás da própria sorte. Diferente daquelas de sua geração você foi a mais bonita, foi diferente das que tiveram de seus responsáveis a mesma atenção. Diferente das outras você galgou a terra para depois subir aos céus, como ficou sabendo em suas preces que  aconteceria.  De todas você foi a que melhor respondeu ao tratamento que, dentro do possível, a gente lhe deu.  Talvez os que de você nasceram, não tivessem a força que você tem. A esperança que mesmo sabendo que sua hora era chegada, dela você não se separou.  Enfim, você morreu. Morreu para os que não a viram com os mesmos olhos que eu a vi. Não a amaram da mesma forma que eu a amei. Para essa gente, de fato, você morreu, mas não para mim que a tenho colorida em minhas fotos e viva, muito viva nas minhas lembranças, principalmente quando no espelho vejo a marca que você deixou em minha testa quando, ainda menino, caí de um galho seu. Ah, minha aroeira querida. Por que desistiu da vida se sabia que agindo assim você também desistia de mim?