terça-feira, 3 de março de 2015

AMADURECI, MAS NÃO VOU CAIR DO GALHO...

Enquanto a maioria voltava da festa trazendo na boca o gosto amargo da despedida, 
outros poucos como eu partia na contramão para o descanso em terras de leitão à pururuca e  tutu a torresmado. Eu sempre desejei partir no momento em que todos estivessem voltando, de comer depois de terem palitado os dentes e de me deitar na hora em que o sol se levantasse.  Eu sou, como estão notando, um cara moldado às avessas. Talvez não fosse se não me bastasse a migalha do bolo no momento em que a maioria briga  por sua maior fatia. Habitualmente, pessoas iguais a mim, tem posto o travesseiro embaixo do braço e as cobertas arrastadas pelo corredor quando escolhem dormir no sofá da sala  se a suíte é disputada a tapas e pontapés. Como qualquer pessoa que se presa eu gosto do colorido das coisas, mas escolho o branco quando os cinquenta tons de cinza já estão comprometidos. Talvez eu gostasse mais do seco por ver que todos estão se molhando, e é pensando dessa maneira que eu dou graças a Deus por ele me apresentar a sardinha como fonte alternativa   já que a maioria tem rosnado pelas ovas do salmão.
Assim foram os meus dias de quarta-feira de cinzas até domingo quando passei com a minha trupe na casa da matriarca dos cinco herdeiros para, com um beijo, acarinhá-la pelo aniversário e  agradecer por ser ela a primeira e minha única mãe.
A outras pessoas, que conosco firmaram amizade no decorrer dos tempos, eu confiei a casa da minha mãe aonde eu levo os escolhidos para meus amigos, mesmo que um me tenham feito sofrer negando o que me disse. Felizmente desse mal eu não não vou morrer, pelo menos eu acho, mas caso aconteça de estar errado, é certo que não oferecerei a minha outra face, mas o esquecerei como Cristo esqueceu Judas depois do beijo. 
O bom disso tudo é que descansamos o corpo e alimentamos a alma para futuras novas 
remadas, desta vez sem pressa, rio acima.