sábado, 14 de fevereiro de 2015

NÃO É SÓ BEIJO QUE MULHER CIUMENTA GOSTA.

      
     Eu não me lembro de ter comentado com vocês que já segui um grupo numa caminhada que pretendia nos levar ao topo de um monte de onde a vista era algo indescritível. Pelo menos foi o que os responsáveis pela façanha nos garantiam. A turma seguiria por uma picada no meio do matagal  com  incríveis despenhadeiros, rochas imensas, árvores de todos os tamanhos e espinhos, que justificavam as paradinhas porque ninguém era de ferro. Nem um de nós sucumbiria antes de alcançar o nosso intento, esta era a proposta. Para isso os caras levaram uma semana pesquisando o terreno e consultando o serviço de meteorologia até que o guia e um outro cara, que parecia a minha sogra dando palpites, encontraram o momento certo para a partida. Na hora marcada do dia H ou no dia H da hora marcado a gente se acotovelou numa Van que se arrastou até um lugarejo de onde partiríamos em direção ao cimo do famoso morro.  Isso tudo para mostrar para os amigos que a gente é foda e que ninguém do grupo conhece a palavra medo. Se eu falei sobre esse assunto devo também ter dito que fomos surpreendidos por uma forte chuva na metade do caminho e se não fossem duas fendas abertas na pedra que protegeu da morte os quatro mais sortudos do grupo e essa história não teria como ser contada por quem escapou da avalanche de lama e de pedra que levou morro abaixo o que via pela frente. Uma das das duas moças que se salvaram, por ciúmes da amiga com o violeiro, resolveu ficar comigo e a cada beijo que o músico ganhava eu era premiado com dois outros da rival. Mesmo assim a coisa estava feia e nem  o arco íris que eu via de onde estava melhorava aquela imagem; o morro tinha derretido como um sorvete na casquinha nos deixando preso dentro de uma loca de pedra enquanto lá fora restava um quintal com um palmo e  meio de extensão. Depois a gente foi encontrada pelos bombeiros que nos socorreram. Ao sair do hospital eu me dei conta que não é preciso um gigantesco diadema colorido com um pote de ouro em cada extremidade para me  fazer feliz, basta um dia simples como aquele, mesmo que ali não estivessem as lindas, porém bobas, moças que se apaixonavam com facilidade por qualquer coisa que tocasse violão.