quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

LEMBRANÇAS DE CRIANÇA.

Segurei seu rosto, envergonhado, para nele
 deixar um beijo. Porém meus olhos, coitados, despreparados como nem eu sabia que eram, escorregaram decote abaixo num abismo aonde dois lindos botões de rosa se entregavam ao desabroche. Toda a pureza daquele beijo deu vez à febre que enrubesceu a cara imberbe que era a minha. Fiquei zonzo, fiquei tonto, fiquei bobo. Pedi água,  e no  colo aonde meu corpo de menino costumava se aninhar, mamãe me deixou sonhar sem saber ela, que há pouco eu tinha visto ao alcance das minhas mãos pequenas, a possibilidade de colher as mais lindas de todas as flores, enclausuradas cada uma em seus botões.